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Mato Grosso tem déficit de UTIs neonatais, aponta levantamento

A situação é ainda mais crítica quando avaliados apenas os leitos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

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Mato Grosso está entre os 17 estados brasileiros com quantidade de leitos de UTI neonatal inferior ao recomendado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB).  (Foto: Agência Brasil)

Mato Grosso está entre os 17 estados brasileiros com quantidade de leitos de UTI neonatal inferior ao recomendado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Segundo levantamento divulgado pela entidade, o estado possui 3,72 leitos por 1.000 nascidos vivos, abaixo da meta de 4 leitos por 1.000, considerada o mínimo necessário para atender a demanda de recém-nascidos prematuros e em estado grave.

A situação é ainda mais crítica quando avaliados apenas os leitos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse caso, Mato Grosso registra apenas 1,61 leitos por 1.000 nascidos vivos, valor significativamente inferior à média nacional do SUS, que é de 2,03 leitos por 1.000.

Conforme o relatório, o Brasil enfrenta uma distribuição desigual de leitos de UTI neonatal, com o déficit concentrado principalmente no SUS. Embora a média nacional, somando os leitos públicos e privados, seja de 4,06 leitos por 1.000 nascidos vivos, nenhum estado brasileiro atinge a meta recomendada apenas com os leitos do sistema público.

Segundo a presidente da AMIB, Patrícia Mello, a escassez na maior parte dos estados compromete diretamente a assistência aos cerca de 40 prematuros que nascem a cada hora no Brasil. “A desigualdade na distribuição de leitos de UTI neonatal, especialmente no SUS, é um entrave grave para garantir o direito à vida e à saúde dos bebês prematuros. Em muitas localidades, as famílias precisam recorrer à rede privada, o que nem sempre é uma opção acessível. Isso aumenta a sobrecarga do sistema público e agrava as disparidades regionais”, destacou.

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A associação argumenta que para suprir o déficit nos 17 estados com indicadores abaixo do recomendado, seria necessário um incremento de aproximadamente 1.500 leitos de UTI neonatal no país. Além disso, especialistas reunidos no Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva (CBMI) 2024, que ocorreu na última semana em São Paulo, têm discutido políticas públicas voltadas à ampliação da infraestrutura hospitalar e à capacitação de profissionais.

Em Mato Grosso, onde a taxa de natalidade é alta, a criação de novos leitos e a regionalização dos serviços de saúde são apontadas como medidas essenciais para atender à demanda crescente. Em 2023, o estado contou com 58 mil nascidos vivos, sendo que parte significativa dessas crianças depende do SUS.

“Investir na ampliação das UTIs neonatais não é apenas uma questão técnica, mas também um compromisso com o futuro dessas crianças e suas famílias. O cuidado intensivo no início da vida pode determinar a sobrevivência e a qualidade de vida no longo prazo”, reforçou a intensivista da AMIB.

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