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ERVA DANINHA

Medo e caos: os terrenos cultivados pela extrema direita

Extremistas se acham donos de quem se presta a servi-los e da verdade que somente a eles interessa.

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O extremista de direita costuma usar dois chavões para tirar o foco de atenção sobre eles. Primeiro, é capaz de acusar o adversário – e a tudo, inclusive a luz que ilumina o seu rosto, de ser comunista. O segundo é que ele se diz nacionalista e patriota, por isso o jargão “Brasil acima de tudo”. A culpa dos problemas, segundo os extremistas, é sempre de quem não pensa como eles.

Este é o nacionalismo dos extremistas: o Brasil antes de qualquer coisa. Ocorre que o Brasil são as pessoas que nele moram. O que seria do Brasil sem as pessoas? Qualquer coisa, menos Brasil. Quando se coloca o Brasil sem pessoas acima de tudo, principalmente das pessoas que nele moram, a ideia é mandar no país, é uma postura autoritária, colonialista, do tempo da escravatura.

São as pessoas, todas elas, sem exceção, sem discriminação, que constituem o Brasil, por isso o país sem pessoas não pode estar acima de tudo, porque ele é feito e existe pelas pessoas que nele habitam. Fortalecer as pessoas, todas elas, com educação de qualidade, oportunidade de trabalho, apoio aos jovens e idosos, às mulheres, aos indígenas, combater o racismo e o machismo, isso é olhar para o Brasil. Qual o extremista que defendeu isso em sua carreira política?

Para os extremistas, essa ideia de que as pessoas pouco importam está no gesto do Clã Bolsonaro. Eduardo e Flávio estimularam o governo de Trump a sobretaxar as exportações brasileiras e, pior ainda, pedir aos Estados Unidos para bombardear a costa brasileira. Poderiam pedir, se estivem realmente pensando nas pessoas, que os Estados Unidos fiscalizassem suas fronteiras, porque é também por ali, além do Paraguai, segundo a Polícia Federal, de onde vem o maior volume de tráfego de armas que abastece o crime organizado no Brasil.

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São tantos os problemas do extremismo, muitos, mas vamos falar aqui apenas de três. Primeiro, tudo tem que ser do jeito deles. Só eles sabem, só eles mandam e os outros cumprem. Em alguns casos, amam ser idolatrados. Veja o caso de Benito Mussolini, na Itália e Adolf Hitler na Alemanha.

No Brasil, Jair Bolsonaro quis até se tornar um mito. Quando isso ocorre, acompanhar estes pretensos heróis é se embriagar de acontecimentos que só existem no mundo dos extremistas e de seus seguidores. A prisão dos falsos patriotas que depredaram os três poderes é um exemplo dos adoradores do anticristo.

O segundo ponto é a incapacidade do extremista de praticar a escuta. Sem escuta não há diálogo, sem diálogo há autoritarismo, violência, agressões verbais e físicas. É assim nos movimentos extremistas, é assim no comportamento dos agressores de mulheres, é assim nas atrocidades das facções criminosas. Nestes casos, nos mais extremos, se não é feito o que é mandado o custo pode ser a vida. E é a vida, basta olhar para a história dos extremistas políticos, para os noticiários sobre os feminicídios e extremistas do crime.

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O terceiro ponto, desacreditar a ciência, é uma das principais metas da extrema direita. A volta de doenças erradicadas há anos no Brasil, como o sarampo, é um retrato do estrago que a extrema direita faz nas redes sociais ao condenar as vacinas. O mais curioso, é que o avanço que se verifica no Brasil, em especial no agronegócio, se deve ao avanço da ciência e do trabalho dos produtores, mas para os extremistas, o que dá certo não serve como exemplo. Medo e caos, é o terreno cultivado pelos extremistas.

Foi ouvindo nossos pais, parentes, professores, amigos, padres e pastores que nós nos tornamos adultos éticos e responsáveis. Se não aprendêssemos a escutar, não sobreviveríamos para contar a nossa história. Os extremistas da direita também aprenderam a ouvir. O problema é que também aprenderam a gostar de súditos, de bajuladores e do “faz tudo”. Neste estágio, só ouvem o que lhes interessa, e o que lhes interessa é o que fortalece sua liderança, seu poder político e sua conta bancária.

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