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ARTIGO

Memória técnica e o portão do inferno 

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A situação do Portão do Inferno foi um dos temas mais debatidos nos últimos seis meses em Mato Grosso. A região, no entanto, já vinha sendo estudada há décadas por diversos órgãos do governo, como a antiga Secretaria de Estado de Transporte e, mais recentemente, pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de Mato Grosso (Sedec), a Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat) e pela própria Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra). O problema é que não existe integração entre os dados dos estudos realizados por essas diversas secretarias e órgãos do governo, o que faz com que as análises feitas por uma secretaria não sejam utilizadas por outra. E qual é o problema disso?

A falta de integração de dados representa uma ineficiência do Estado e pode resultar em demora na tomada de decisões, aplicação inadequada de recursos, interpretações erradas, entre outros problemas.

A área do Portão do Inferno já vinha sendo objeto de estudos geológicos e geofísicos para o desenvolvimento de projetos de construção de passarelas para visitação. Esses estudos, embora muito importantes e consistentes, nem sequer são mencionados nas análises posteriores feitas por outros órgãos.

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A ausência de informações sobre estudos anteriores pode dificultar a tomada de decisões e elevar os custos de obras públicas. Em outras situações, estudos similares podem ser solicitados e pagos por duas secretarias diferentes para uma mesma área. Ou seja, no final das contas, a falta de integração entre as secretarias pode custar caro para o contribuinte.

Em alguns casos, embora estudos anteriores não possam ser utilizados integralmente, eles podem servir como referência para padrões regionais, permitindo a criação de um acúmulo contínuo de informações técnicas sobre o território mato-grossense.

Os estudos, projetos, análises, avaliações, vistorias, perícias, pareceres, entre outros documentos similares, fornecem informações essenciais para gestores públicos na implementação ou manutenção de empreendimentos de engenharia ou outras ações governamentais.

A criação de um banco de dados integrado possibilitará que propostas previamente elaboradas sejam consideradas em novas análises, acumulando informações valiosas sobre o objeto de estudo. Para projetos de obras, a criação de bancos de dados com informações técnicas permitirá que, no futuro, caso sejam necessárias intervenções nas obras, os órgãos competentes tenham acesso às informações necessárias para realizar análises adequadas.

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Com base nesse cenário, eu e outros colegas apresentamos ao Deputado Wilson Santos uma proposta de legislação para a criação de um banco de dados para integrar os diversos estudos realizados por todas as secretarias de governo, criando uma memória técnica de tudo o que o Estado já desenvolveu ou contratou. O projeto foi apresentado pelo Deputado na Assembleia Legislativa. Caso aprovado, contribuirá muito para a eficiência do Estado, garantindo uma boa aplicação dos recursos públicos e proporcionando respostas rápidas e mais assertivas. Espero que os outros parlamentares e o governo priorizem esse tema, tão importante para a sociedade.

Caiubi Kuhn é geólogo, doutor em Geociência e Meio Ambiente (UNESP) e professor na UFMT.

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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