
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) recorreu da decisão da Justiça que revogou a prisão preventiva dos quatro policiais militares acusados de envolvimento no assassinato do advogado Renato Gomes Nery, morto em julho de 2024, em Cuiabá. Em recurso apresentado nesta terça-feira (03.06), o MP pede que os réus voltem à prisão, alegando que a liberdade deles representa risco à ordem pública e à investigação.
A decisão que concedeu liberdade provisória aos PMs Wekcerlley Benevides de Oliveira, Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso e Wailson Alesandro Medeiros Ramos foi assinada pelo juiz Francisco Ney Gaíva, da 14ª Vara Criminal. Os acusados estavam presos preventivamente desde março de 2025 e desde o dia 29 de maio estão cumprindo medidas cautelares, como recolhimento domiciliar noturno e proibição de contato com testemunhas.
No recurso, o MP sustenta que a revogação da prisão ignora a gravidade dos crimes e a existência de provas técnicas que, segundo a Promotoria, reforçam o envolvimento dos policiais em um suposto grupo criminoso infiltrado na corporação. De acordo com as investigações, os réus simularam um confronto armado em 12 de julho de 2024, ocasião em que mataram Walteir Lima Cabral e tentaram matar dois adolescentes, com o objetivo de forjar uma justificativa para a morte do advogado ocorrida dias antes.
Laudos periciais anexados ao processo apontam que a arma supostamente apreendida no confronto, uma pistola Glock 9mm, foi a mesma usada no homicídio de Nery e em outro assassinato ocorrido em 2022. O MP afirma ainda que a arma pertencia ao Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam), onde os acusados atuavam.
Mensagens extraídas dos celulares dos policiais também foram usadas pelo MP para sustentar o pedido de retorno à prisão. Em áudios gravados nos dias seguintes à simulação do confronto, os PMs descrevem detalhes dos ferimentos das vítimas e indicam que o resultado letal da ação era esperado.
Em grupos de WhatsApp, os policiais discutiam versões combinadas dos depoimentos e comentavam a atuação de colegas com frases como “ele só pensa em matar matar matar”. “Estas mensagens sugerem a existência de indivíduo dentro da organização com histórico de violência letal sistemática, caracterizando verdadeira organização criminosa voltada para eliminação de pessoas”, afirma o MP.
Para o Ministério Público, os diálogos indicam a existência de uma organização criminosa formada por agentes da segurança pública. Os promotores também argumentam que a soltura dos réus pode levar à intimidação de testemunhas e dificultar o andamento das investigações.
“A gravidade concreta dos fatos, demonstrada pelo modus operandi e pelo uso do aparato estatal para execução e ocultação dos crimes, justifica plenamente a manutenção da custódia cautelar”, diz o recurso. O Tribunal de Justiça ainda não decidiu sobre o pedido de reconsideração.

























