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MT é o estado com maior número de famílias camponesas despejadas em 2019

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CPT

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Número de despejos de famílias camponesas em Mato Grosso é o mais alto do país.

Ao todo 3.359 famílias camponesas sofreram ações de despejo no ano de 2019. É o que mostra o relatório anual Conflitos no Campo Brasil 2019, publicado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e lançado em parceria com o Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT/MT) nesta sexta-feira (04). O número deixa Mato Grosso no topo do ranking de despejos. 

 

De acordo com o relatório, ao todo 15.355 famílias sofreram no ano passado com conflitos de terra. O número só não maior que o observado no estado do Pará, onde 30.031 famílias viveram essa realidade. De uma maneira geral, os dados apontam para o acirramento da violência no campo. Em território mato-grossense, as ameaças de morte aumentaram 250% comparado com o ano de 2018.

 

“A realidade no campo no Estado de Mato Grosso continua sendo violenta, perversa, excludente e assassina, tudo em nome do lucro, o qual é a cada ano maior. A vulnerabilidade e a violência são estruturais no estado, estão burocratizadas em suas diversas administrações, presentes na intencionalidade econômica do agronegócio, banalizadas na sociedade. Os dados e a própria realidade denunciam essa determinação histórica dessa capitalização do território”, argumenta Cristiano Apolucena Cabral, filósofo, doutorando em Educação e membro da CPT, que assina o Relatório Estadual de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso, também lançado nesta sexta-feira (04).

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As publicações recordam os assassinatos motivados por questões de terra ocorridos no estado em 2019. As vítimas relembradas são Elizeu Queres de Jesus, morto em Colniza aos 58 anos; Edmar Valdinei Rodrigues Branco, morto aos 59 anos em Chapada dos Guimarães; e um homem identificado como  Sr. Gilberto, morto em Cotriguaçu. 

 

Gilberto teria sido assassinado por pistoleiros dentro do Parque Nacional do Juruena, local em que morava. Ele era membro da Associação dos Pequenos produtores Rurais do referido local. Pessoas da localidade informaram à CPT que a vítima sofria ameaças de morte por parte de jagunços a serviço de fazendeiros da região. Nesse contexto, saiu um tempo do assentamento. Ao voltar para a área foi executado. 

 

Conforme os últimos dados, foram registrados em Mato Grosso um total de 86 conflitos por terra, envolvendo milhares de camponeses. Três ocupações foram retomadas ou concluídas em 2019, duas em Campo Novo do Parecis e uma em Cotriguaçu. No estado, 16 pessoas foram libertadas de trabalhos análogos à escravidão, principalmente em atividades relacionadas à pecuária. O relatório ainda aponta que 344 famílias em Mato Grosso sofreram em conflitos por água, nos municípios de Juscimeira, Sinop, Paranaíta, Juara e Santo Antônio de Leverger.

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