Mato Grosso reduziu de 90% para 61% a parcela de seu território coberta por vegetação nativa entre 1985 e 2025, uma queda de 29 pontos percentuais em 41 anos. Os dados fazem parte da Coleção 11 de mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBiomas, lançada nesta quarta-feira (12.08).

A redução coloca Mato Grosso entre os estados que registraram as transformações mais intensas na cobertura vegetal no período analisado. Rondônia passou de 92% para 59% de vegetação nativa, enquanto Maranhão caiu de 91% para 61% e Tocantins, de 90% para 61%.
Em todo o país, 25 estados e o Distrito Federal reduziram a participação da vegetação nativa desde 1985. O Rio de Janeiro foi a única exceção, com aumento de 1% no período.

No Brasil, a cobertura de vegetação nativa passou de 79% do território em 1985 para 65% em 2025. No mesmo período, a área ocupada pela agropecuária avançou de 18% para 32% do território nacional.
Segundo o levantamento, cerca de um terço do território brasileiro sofreu ao menos uma mudança de cobertura ou uso da terra ao longo dos 41 anos analisados. Na comparação direta entre 1985 e 2025, 241 milhões de hectares apresentaram alguma transição. Desse total, 136 milhões de hectares correspondem à conversão de vegetação nativa em áreas agropecuárias.
A Amazônia e o Cerrado, biomas presentes em Mato Grosso, concentraram as maiores perdas absolutas de vegetação nativa do país. A Amazônia perdeu 53,9 milhões de hectares no período, enquanto o Cerrado teve redução de 51,7 milhões de hectares.
O Cerrado também apresentou a maior perda proporcional entre os biomas brasileiros, com redução de 34% de sua vegetação nativa ao longo da série histórica.
No Pantanal, outro bioma presente em Mato Grosso, o MapBiomas identificou o encolhimento de 4 milhões de hectares de superfícies de água e campos alagados. Uma nova categoria incluída no levantamento, chamada de savana alagada, teve redução de 84%, passando de 1,1 milhão de hectares em 1985 para 174 mil hectares em 2025.
O levantamento também relaciona as mudanças no uso da terra à maior exposição do território aos efeitos de eventos climáticos extremos. Segundo o MapBiomas, no último El Niño, entre 2023 e 2024, o Pantanal registrou forte redução das chuvas e 2024 foi o ano mais seco de toda a série histórica mapeada.
Apesar das perdas acumuladas nas últimas quatro décadas, o MapBiomas aponta desaceleração recente do desmatamento. Em 2025, o Brasil registrou menos de 1 milhão de hectares desmatados pela primeira vez desde o início da série do MapBiomas Alerta, em 2019, redução de 20,6% em relação ao ano anterior.
























