
Dos 772 municípios que compõem a Amazônia Legal, 15 apresentaram taxas de mortes violentas acima de 80 para cada grupo de 100 mil habitantes entre os anos de 2020 e 2022. Da lista, quatro municípios estão localizados no estado de Mato Grosso. O dado integra um levantamento publicado nesta quarta-feira (30.11) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Instituto Mãe Crioula (IMC).
De acordo com a publicação, as cidades com os piores índices encontram-se nos estados do Pará e do Mato Grosso, onde aparecem Floresta do Araguaia-PA (taxa de 128,6 mortes para cada 100 mil habitantes), Cumaru do Norte-PA (128,5), Aripuanã-MT (121,8), Alto Paraguai-MT (110,0), Mocajuba-PA (108,0), Anapu-PA (100,0), Novo Progresso-PA (99,9), São José do Rio Claro-MT (99,5), Abel Figueiredo-PA (95,2), Nova Maringá-MT (90,3), Ourilândia do Norte-PA (89,4), Iranduba-AM (89,2), Junco do Maranhão-MA (86,4), Colniza-MT (82,7) e Curionópolis-PA (80,7).
O estudo, intitulado “Cartografias da violência na Amazônia – 2a edição”, aponta que o elevado patamar da violência letal e a presença de facções criminosas são hoje os principais problemas na área de segurança pública enfrentados pela população que vive nos estados que compõem a Amazônia Legal. De uma maneira geral, a região apresentou taxas de mortes violentas intencionais 45% superiores à média nacional, num total de 9.011 homicídios em 2022.
Segundo a publicação, a atuação do crime organizado continua em processo de expansão na região, em meio a uma disputa entre grupos criminosos pelo interior da Amazônia, uma área estratégica para os negócios do crime, tanto para o escoamento de drogas como também para outros ilícitos como o garimpo e a extração de madeira.
Por meio de pesquisas de campo e entrevistas, os pesquisadores conseguiram estimar a presença de 22 facções vinculadas ao narcotráfico na região, entre grupos nacionais e de países que fazem fronteira com o Brasil. De acordo com uma estimativa trazida pelo estudo, ao menos 178 cidades da Amazônia Legal convivem com a presença de algum desses grupos, indicando que ao menos 57,9% dos habitantes da Amazônia vivem sob o jugo do crime organizado. O relatório também se detém sobre alianças entre facções de base brasileira com congêneres de países vizinhos, com destaque para o recente fenômeno da penetração, em território brasileiro, de criminosos venezuelanos.






















