A lógica de uma gestão montada em cima de propaganda total e de negócios públicos que geram lucros privados é, lamentavelmente, a marca histórica do governo de Mauro Mendes (União), que está terminando neste mês de março de 2026. Além de uma série de denúncias de escândalos, Oi, Consignados, Saúde, BR-163 e Parque Novo Mato Grosso, Mauro Mendes está deixando um legado trágico na área social. As mulheres, crianças e adolescentes são as maiores vítimas da sua gestão sem alma.
Matança de Mulheres. O governo da propaganda de Tolerância Zero fracassou. Os números de feminicídio aumentaram em escala trágica; o efetivo policial foi reduzido e os policiais são submetidos a uma escala cruel de trabalho, e as facções dominando o estado. Para coroar este quadro patético: o desprezo com as mulheres. Mauro Mendes será lembrado pela sua frase de deboche e escárnio, por exemplo, sugerindo às mulheres de Várzea Grande procurar ajuda policial nas delegacias de Cuiabá. “Não é doloroso sair de Várzea Grande para ir a Cuiabá”, afirmou.
Crianças e Adolescentes em privação. As crianças e adolescentes são outras vítimas do governo Mauro Mendes. Um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) traçou um retrato alarmante sobre as condições de vida de crianças e adolescentes em Mato Grosso. Mais de 74% das crianças no estado enfrentam pelo menos uma privação grave, como falta de moradia digna, saneamento, alimentação, acesso à escola ou segurança.
Outro ponto do levantamento do Unicef também revelou um dado alarmante: as mortes violentas intencionais de crianças de 0 a 9 anos em Mato Grosso aumentaram mais de 450% entre 2022 e 2023, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Para que serve “experiência política”?
O governador passará a campanha eleitoral tentando jogar no Buraco da Memória estes números, fugindo do debate democrático sobre as situações problemáticas que revoltam a população. Se “experiência” conta na política, este tipo de experiência de gestão de Mauro Mendes é, certamente, uma condição que o eleitorado deve rejeitar nestas eleições.
Obras inacabadas ou malfeitas
Mauro Mendes passará o controle do governo para o seu vice, Otaviano Pivetta (Republicanos), apresentando à sociedade resultados contraditórios até onde se diz forte: nas “entregas” de obras. A contradição: é o governo de entrega de obras que, ao mesmo tempo, não deu conta de acabar a obra do BRT, uma promessa de campanha de 2018. Apresentou-se como o gênio da engenharia moderna, mas a obra no Portão do Inferno, no caminho da Chapada dos Guimarães, não saiu do papel, foi um verdadeiro fiasco que custou caro para o cidadão-contribuinte.
*Pedro Pinto de Oliveira é jornalista e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e doutor em Comunicação pela UFMG.























