
O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa foi proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1993. Data marcada para celebrar os princípios fundamentais da liberdade de imprensa; avaliar a liberdade de imprensa em todo o mundo; defender dos profissionais de mídia contra ataques à sua independência; e prestar homenagem aos jornalistas que perderam a vida no exercício da profissão.
Nos últimos 30 anos, destaca a UNESCO, as comemorações do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa nos levaram em uma jornada, que deu destaque ao direito à liberdade de expressão e enfatizou vários aspectos da importância da liberdade de imprensa. No entanto, diante de múltiplas crises, a liberdade de imprensa, a segurança dos jornalistas e a liberdade de expressão, bem como outros direitos humanos, estão cada vez mais ameaçados.
Hoje há uma vaga no mundo de governos autoritários que agem para destruir o direito democrático do cidadão de ter uma imprensa livre. A desinformação é a contrapalavra autoritária que emerge deste contexto contemporâneo de tentativa discricionária de amordaçamento dos jornalistas. O exemplo mundial mais emblemático vem dos Estados Unidos. O presidente Donaldo Trump, que sonha ser o ditador da América, fechou em março a Voice of America (VOA) — a emissora global cujas raízes remontam à luta contra a propaganda nazista.
Trump ordenou, segundo destaca o jornal britânico The Guardian, a Agência dos Estados Unidos para Mídia Global, a agência federal que financia a VOA e outros grupos que promovem o jornalismo independente no exterior, fosse “eliminada na máxima extensão compatível com a lei aplicável”. A decisão interrompeu repentinamente a programação em 49 idiomas para mais de 425 milhões de pessoas.
Os governos de viés totalitário pelo mundo fizeram eco com suas vozes de apoio às posições autoritárias do presidente-laranja dos Estados Unidos. Em Moscou, Margarita Simonyan, editora-chefe linha-dura da emissora estatal RT, descreveu a decisão como “incrível”. O Global Times, publicação da mídia estatal chinesa em inglês, alardeou que as emissoras haviam sido descartadas pela Casa Branca “como um trapo sujo”, encerrando seu “veneno de propaganda”. O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, cujo regime foi acusado de reprimir a oposição política, descreveu a decisão de Trump como “muito promissora”.
No âmbito nacional, Trump continuou a visar os meios de comunicação, seja levando meios de comunicação como a CBS News e a ABC aos tribunais, tentando bloquear o acesso político à Casa Branca pela Associated Press, ou retirando o financiamento da National Public Radio e do Public Broadcasting Service — instituições que ele descreveu como “monstros da esquerda radical”
Para muitas figuras importantes da mídia em todo o mundo, a balança se inclinou, com regimes autoritários sendo encorajados por um governo americano que não só ataca a mídia internamente, mas também se retira da luta por informação livre no exterior. Com o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa em 3 de maio, observadores alertam que, em países onde a liberdade de imprensa é fraca, a retirada dos Estados Unidos desse equilíbrio geopolítico terá efeitos de longo alcance, resume a matéria do jornal The Guardian.
Em Mato Grosso há reiteradas tentativas de calar a imprensa livre, seja pela pressão econômica ou pela ação judicial contra jornalistas no exercício da sua prática profissional. O governo compra o silêncio e cobra total submissão dos veículos locais de comunicação.



















