
O prefeito Abílio Brunini (PL) não respondeu às críticas políticas feitas pela vereadora Maysa Leão (Republicanos). Dono de um lamentável histórico de ataques às mulheres, Abilio preferiu contar com o serviço da primeira-dama e vereadora Samantha Iris (PL) para atacar a vereadora da oposição. Sustentado pela falácia clássica Ad Hominen, o vídeo de dona Iris é um primor da lógica rasa da extrema direita: é agressivo, é debochado e, suprema ironia, coloca Abílio como se fosse vítima de uma “mulher histérica”.
A vereadora Maysa Leão criticou Abílio pela sua postura desrespeitosa com a Câmara de Cuiabá, sua gestão frágil, sem resultados. que revolta a população cuiabana. Descreveu o que Abílio faz de “melhor”: ele ocupa o seu tempo para “rolar a timeline do Instagram” e fazer vídeos debochados contra seus desafetos ideológicos. Resumiu, duramente, a postura do prefeito a de um “moleque”.
O que cabia ao prefeito? Tinha que, politicamente, responder as críticas da vereadora. O que foi feito? Como se fosse só uma questão de gênero, Abilio usou a primeira-dama e vereadora Samantha Iris para atacar a vereadora de oposição. O contraponto foi um vídeo exemplar da lógica rasa da extrema direita bolsonarista. Foi montado em cima de uma falácia clássica, Ad Hominem, que ataca a pessoa em vez do argumento. A vereadora Maysa Leão foi caracterizada como uma “mulher histérica”, que busca se vitimar e ganhar visibilidade mediática às custas do prefeito. Nenhuma, absolutamente nenhuma palavra sobre o teor da crítica feita por Maysa Leão. Ela expressou, de fato, toda a contrariedade da população pela postura pessoal do prefeito e da sua gestão, até o momento, pífia. Supremo deboche, no vídeo de dona Iris, Abílio é comparado a Jair Bolsonaro, “vítima de ataques de mulheres histéricas”.
Maysa, Samantha, Janaína e Virgínia
Usar uma mulher para atacar outra mulher, quando a crítica política foi dirigia ao prefeito, é uma marca negativa, uma atitude covarde e desrespeitosa com a própria esposa e com todas as mulheres. É impossível imaginar, por exemplo, o governador Mauro Mendes (União) usando a esposa, a primeira-dama Virgínia Mendes, para responder a alguma crítica feita a ele pela deputada estadual Janaína Riva (MDB). E nem se imagina dona Virgínia Mendes rebaixando-se para fazer este papel subalterno. Mesmo quando não responde a Janaína, Mauro costuma usar o seu secretário da Casa Civil, o deputado federal Fábio Garcia (União), para fazer o enfrentamento, não reduzindo o debate ao gênero do autor ou da autora da crítica.
Veja o vídeo da vereadora Maysa Leão, veja o vídeo da primeira-dama e vereadora Samantha Iris. Ambos retratam, de maneira diversa, a mesma triste realidade: o abismo onde Cuiabá foi jogada. Cuiabanos e cuiabanas sofrem diariamente, em todas as áreas, os reflexos de uma gestão desastrosa do prefeito “político celular”. Parece que a maior ambição política de Abílio é ser um novo messias. O Jair Messias Bolsonaro, seu ídolo do deboche e do ódio a todas e todos os que não são fiéis e passivos seguidores.
Confira os vídeos abaixo:
*Pedro Pinto de Oliveira é jornalista e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e doutor em Comunicação pela UFMG.






















