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Problema crônico em VG aumenta com a falta de chuva e infraestrutura

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Reprodução/Internet

agua

 

Uma série de fatores transformam um problema crônico de falta de água em um suplício para a população de Várzea Grande, a segunda maior cidade de Mato Grosso: crescimento da população urbana, falta de planejamento e gestão e infraestrutura inadequada são ingredientes de uma conta que não fecha por causa da ineficiência do poder público e falta de consciência da população. E, em tempos de eleição, o assunto dá o tom ao discurso dos adversários.

 

Desde o último final de semana, a falta de água nos bairros da cidade domina as redes sociais. Vídeos da manifestação de um grupo de moradores no bairro São Mateus, de água barrenta na torneira e até de um pré-candidato a vereador do Pros sendo agredido pelo senador Jayme Campos, durante a inauguração de uma praça em Várzea Grande, estão circulando com milhares de visualizações e comentários sobre a má qualidade do serviço prestado pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE).

 

Os comentários da população que sofre as consequências nessas publicações mostram a dificuldade de quem tem que pagar R$ 75 por um caminhão pipa com mil litros de água. “Quando a gente liga no DAE pedindo caminhão pipa, perguntam da matrícula. Como vai ter matricula, se nem encanação de água tem? A gente quer pagar por uma coisa que tem, água é um item básico”, disse o presidente da associação de bairros que se apresentou apenas como Alessandro, em um vídeo da manifestação na sexta-feira à noite no bairro São Mateus.

 

Infraestrutura versus desenvolvimento urbano 

A Prefeitura de Várzea Grande anunciou o repasse de R$ 13,7 milhões para a licitação e construção de uma Estação de Tratamento de Água (ETA) no Grande Cristo Rei com investimentos iniciais de R$ 25 milhões dos quais R$ 13,7 milhões estão depositados em conta corrente do Tesouro Municipal, recursos da venda das contas municipais para a Caixa Econômica Federal (CEF).

 

O DAE já deu início ao processo licitatório da nova ETA com capacidade para 10 milhões de litros de água por mês. A abertura das propostas das empresas interessadas deve acontecer em 20 de setembro. A proposta é construir uma estação moderna, por blocos, e concluir a obra até o primeiro semestre do ano que vem. 

Arquivo VG Notícias

DAE VG

 

 

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“Essa obra vai garantir o atendimento de toda a região do Grande Cristo Rei, Grande Parque do Lago entre outros bairros e permitirá que as demais três ETAs existentes reforcem o atendimento em outros bairros de Várzea Grande. A nova ETA quando pronta vai produzir 320 litros por segundo ou 27.648.000 milhões de litros por dia se funcionar 24 horas”, disse a prefeita de Várzea Grande, Lucimar Sacre de Campos.

 

Diante da demora para a execução desta obra, o município está adotando outras medidas emergenciais como a perfuração de poços artesianos em várias regiões da cidade em parceria com o Governo do Estado através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat) e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

 

Desde a semana passada, três poços já foram perfurados para atender os bairros Distrito Industrial e Capão do Pequi, Santa Maria e Joaquim Curvo. Mais dois serão perfurados na Cohab São Mateus e Residencial São Benedito. Caso os poços correspondam à expectativa de vazão de água, será possível atender a demanda da região segundo o presidente do DAE, Ricardo Azevedo de Araújo..

 

“Segundo as previsões mais otimistas, teremos chuvas no final de setembro ou apenas em outubro, sendo que este ano de 2020 está sendo atípico, por causa da pandemia da covid-19, que deixou as pessoas mais tempo em casa e, portanto, consumindo mais água, mais energia elétrica, mais comida entre outros itens e serviços. E com a estiagem, o fim das chuvas, estamos encontrando ainda mais dificuldades em manter a regularidade no abastecimento de água”, explicou Araújo.

 

As estimativas do departamento varzeagrandense são de que houve crescimento em torno de 35% até 50% no consumo de água neste período. “Em contrapartida para piorar a situação, com a covid-19 foi proibido o corte no fornecimento de água. O índice de  inadimplência, as pessoas que não pagam pelos serviços prestados, em Várzea Grande atingiu absurdos 65%”, apontou o presidente sobre o último balanço apresentado nesta segunda-feira. 

 

Investimento

Sem dinheiro para investir, Ricardo Azevedo reclama que não recebeu metade do recurso previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, assinado em 2015, para aplicar no abastecimento de água. Dos R$ 500 milhões do programa, R$ 233 milhões não vieram, segundo o gestor. Na época, com a opção de não privatizar o serviço, hoje paga o preço da falta de eficiência do poder público na área. “Essa opção nos impediu de traçar estratégias diferenciadas para o DAE e para os problemas da água e do esgoto, muito mais por problemas políticos da instabilidade política dos governos federais que se sucederam nos últimos anos. Durante o mandato da prefeita Lucimar Sacre de Campos foram três governos, Dilma Roussef, Michel Temer e Jair Bolsonaro, sem contar processos eleitorais distintos para Governo do Estado e tudo isto atrapalhou a gestão e a solução de diversos problemas”, disse Ricardo Araújo.

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Ao reconhecer a falta de planejamento e gestão, a prefeitura de Várzea Grande aponta outro gargalo que assegura contribuir com grande parte do problema:  falta de consciência da população. O crescimento horizontal e desordenado da cidade com bairros que já estão mais próximos do município de Jangada (70 km de Várzea Grande) do que do centro da cidade, faz com que as ligações clandestinas se multipliquem. O município tem hoje de acordo com estimativas do IBGE, 288 mil habitantes, um aumento médio de 7% ao ano.

 

Bairros como o São Mateus surgiram a partir da invasão de áreas. Vivem naquela região cerca de 10 mil famílias. “O investimento para atender a demanda é muito alto e o município tem pelo menos 40% de ligações clandestinas, o chamado gato ou rabicho. Desde igrejas, a cartórios e bancos com ligações deste tipo”, justificou o secretário de Comunicação, Marcos Lemos.

 

Os dados do Ranking do Saneamento Básico, divulgado em março deste ano pelo Instituto Trata Brasil com informações do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) – ano base 2018, demonstram o atendimento total de água em Várzea Grande foi de 96,97. O problema é a falta de regularidade nas diversas regiões. Alguns bairros têm água todo dia, outros ficam de um até 3 dias sem o fornecimento contínuo do produto.  

 

O município está entre os piores em relação aos investimentos na área com base na arrecadação. Ficou em último lugar entre 100 cidades avaliadas no levantamento. Quanto à distribuição, a colocação é a de número 89 e considerando as perdas no faturamento e fornecimento de água, o DAE se destaca nas últimas colocações, é o de número 93 e 92, respectivamente.

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