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ARTIGO

Segurança pública em Mato Grosso: oito anos de Governo, mais violência e menos estado

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Ao longo dos últimos dez anos, os dados oficiais da violência no Brasil revelam uma tendência clara: enquanto o país, ainda que lentamente, conseguiu reduzir seus índices de homicídios e mortes violentas intencionais, Mato Grosso seguiu na contramão. O estado manteve-se de forma recorrente entre os mais violentos do país em termos proporcionais, figurando com frequência entre os dez estados com maiores taxas de mortes violentas por 100 mil habitantes.

Mesmo nos anos mais recentes, quando o Brasil alcançou as menores taxas de homicídio em mais de uma década, Mato Grosso permaneceu acima da média nacional. O estado convive simultaneamente com a violência urbana crescente, conflitos no campo, a expansão do crime organizado, a vergonhosa liderança nos índices de feminicídio e elevados níveis de letalidade policial. Ainda assim, o governo insiste em discursos triunfalistas, torrando milhões de reais em propagandas oficiais que falseiam a realidade, vendendo à população um cenário fictício, completamente desconectado do medo, da insegurança e da violência que marcam o cotidiano de quem vive em Mato Grosso.

Esse cenário não é obra do acaso, tampouco resultado de um fenômeno momentâneo. Ele coincide, de forma direta, com um dado político incontornável: Mauro Mendes governa Mato Grosso há oito anos. O tempo é mais do que suficiente para afastar qualquer tentativa de terceirizar responsabilidades ou atribuir os problemas a gestões anteriores. O que se vê hoje é o retrato de uma política de segurança pública que falhou — e continua falhando.

Violência em alta, Governo em silêncio

A violência não cresceu porque faltam prisões ou porque a polícia “age pouco”. Cresceu porque faltou planejamento, investimento humano e inteligência policial. Cresceu porque o governo preferiu investir em marketing institucional, e não em uma política de segurança pública séria, baseada em dados, prevenção e investigação.

Enquanto outros estados conseguiram reduzir de forma consistente seus indicadores de violência letal, Mato Grosso manteve taxas elevadas, revelando um problema estrutural. O governo optou por ações de impacto midiático, incapazes de enfrentar as causas profundas da criminalidade.

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O paradoxo absurdo: falta polícia, mas sobram concursados esperando

Talvez o dado mais escandaloso da política de segurança pública de Mato Grosso seja este: o estado enfrenta um déficit superior a 5 mil policiais, ao mesmo tempo em que mais de mil profissionais concursados aguardam convocação – alguns há anos.

Em vez de reforçar o efetivo, o governo Mauro Mendes escolheu:

  • sobrecarregar os policiais em atividade;
  • impor jornadas extenuantes;
  • reduzir a presença do Estado nos territórios mais vulneráveis;
  • fragilizar a capacidade preventiva e investigativa da segurança pública.

Não se trata de falta de quadros. Trata-se de falta de vontade política.

Baixa resolutividade: quando o crime compensa

Outro elemento central do fracasso da segurança pública em Mato Grosso é a baixa taxa de elucidação de crimes, especialmente homicídios. Onde o Estado não investiga, o crime prospera. Onde assassinatos não são solucionados, a mensagem transmitida é clara: matar compensa.

O governo não priorizou o fortalecimento da Polícia Civil, tampouco investiu de forma consistente em investigação, perícia, inteligência e integração institucional. Preferiu apostar em operações ostensivas de curto prazo, que pouco contribuem para reduzir a violência de forma duradoura.

Sem investigação eficiente, não há dissuasão. Sem dissuasão, a violência se reproduz.

Letalidade policial: despreparo que mata duas vezes

Mato Grosso também convive com índices elevados de letalidade policial. Esse problema não pode ser tratado com simplificações ideológicas ou discursos vazios. Polícia que mata mais não é polícia mais eficiente. Na maioria das vezes, é sinal de falta de capacitação, ausência de protocolos claros e despreparo para lidar com situações complexas de conflito.

Reduzir a letalidade policial exige:

  • formação continuada;
  • treinamento em uso progressivo da força;
  • técnicas de desescalada;
  • apoio psicológico aos profissionais;
  • controle institucional efetivo.

Nada disso foi tratado como prioridade ao longo dos últimos oito anos.

O resultado é trágico: morrem cidadãos, morrem policiais e se rompe o vínculo de confiança entre a população e as instituições de segurança.

O custo humano da omissão

A combinação de efetivo insuficiente, falta de convocação de concursados, baixa capacitação e ausência de inteligência produz um ciclo perverso: policiais adoecem, comunidades vivem sob medo constante, jovens são empurrados para o crime e o Estado chega sempre tarde – quando chega.

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Segurança pública não se faz com bravatas, nem com propaganda. Se faz com gente, formação, investigação, prevenção e responsabilidade política.

Conclusão: oito anos são suficientes para cobrar resultados

Após oito anos à frente do governo de Mato Grosso, Mauro Mendes não pode mais se esconder atrás de narrativas artificiais. A violência não caiu de forma consistente. O déficit policial permanece. Concursados seguem aguardando convocação. A resolutividade dos crimes continua baixa. A letalidade policial segue alta.

О problema da segurança pública em Mato Grosso não é falta de diagnóstico. É falta de decisão política.

Governar é escolher prioridades. E, nos últimos oito anos, a proteção da vida da população mato-grossense claramente não foi uma delas.

Ao encerrar seus dois mandatos como gestor do Estado, os resultados falam por si não deixam margem para tergiversações: o governador Mauro Mendes fracassou condução da segurança pública em Mato Grosso. Os indicadores demonstram que crime avançou, a violência se consolidou como problema estrutural e a população passou a conviver com mais medo e insegurança do que no período em que ele assumiu o governo. Mato Grosso é hoje um estado mais violento do que aquele que Mauro Mendes herdou. Esse fracasso não se limita à segurança pública.

Ele se repete em outras áreas centrais da gestão estadual, que serão analisadas nos próximos artigos. O balanço final é claro: seu governo foi reprovado pela realidade concreta dos fatos, deixando como legado um Estado mais desigual, mais inseguro e com o crime ocupando espaços que deveriam ser do poder público.

Valdir Barranco é deputado estadual em seu terceiro mandato e mestrando em Ciências Políticas pela UFMT.

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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