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PROTÓTIPO DE DITADOR

Sindicato repudia ataque de Mauro Mendes contra jornalista que revelou Escândalo da Oi

O sindicato compara o comportamento do governador a um “protótipo de ditador fora de época” e alerta para a censura econômica.

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O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor/MT) divulgou nota oficial nesta quarta-feira (18.02) repudiando a conduta do governador Mauro Mendes (União) durante entrevista coletiva em que o chefe do Executivo estadual teria humilhado e intimidado o jornalista Lázaro Thor, do PNB Online, responsável por publicar o furo de reportagem que revelou o chamado Escândalo da Oi.

Na coletiva, Mendes teria ameaçado processar o jornalista após uma pergunta sobre o pagamento de R$ 308 milhões à Oi via fundos do Banco Master.

No texto assinado pelo presidente do Sindjor-MT, Itamar Perenha, o sindicato classifica a atitude do governador como “repulsiva” e afirma que Mendes tem protagonizado “com inusual frequência um imenso desrespeito” pela imprensa. “O governador, em coletiva, não quer jornalistas, mas uma claque, como se o cidadão mato-grossense não tivesse o direito de conhecer dos atos de governo, resumindo-os a uma caixa preta aberta só aos amigos do peito”, diz a nota.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram que o governador teria se exaltado ao ser questionado sobre o escândalo, apontando o dedo e sugerido ao profissional que recorresse à Justiça. O governador mandou que o jornalista “assinasse” a declaração de que os fundos que receberam o dinheiro do Estado pertenceriam ao pai do secretário da Casa Civil, Fábio Garcia, o empresário Robério Garcia. Em resposta, o jornalista informou que já havia assinado a informação, como autor da primeira reportagem sobre o assunto.

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Posteriormente, o PNB Online publicou documento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que desmente Mauro Mendes e que mostra que o jornalista estava certo: o fundo Lotte Word, que recebeu R$ 154 milhões do dinheiro do Estado tem como cotistas as empresas de Robério Garcia. O empresário, conhecido como “Berinho”, também figura entre os cotistas.

O sindicato compara o comportamento do governador a um “protótipo de ditador fora de época” e alerta para o que classifica como uma nova forma de censura: “nestes tempos, onde a democracia é rala, a censura, outrora exercida pela força na ditadura, foi substituída pela recusa do PI (contrato de publicidade) a quem não aplaude”. A entidade lembra que jornalistas não comparecem a coletivas para bajular, mas para “buscar a informação na fonte”.

Mauro Mendes e “as cinzas do jornalismo”.

A humilhação imposta ao jornalista Lazaro Thor Borges, após pergunta formulada numa entrevista coletiva, é mais uma das atitudes repulsivas que marcam as relações do governador com a imprensa e a reduzem a cinzas de ira santa e resignação.

Mauro Mendes tem protagonizado, com inusual frequência, um imenso desrespeito que nutre pela informação que é um bem público a tutelar e não a mutilar. O governador, em coletiva, não quer jornalistas, mas uma claque, como se o cidadão mato-grossense não tivesse o direito de conhecer dos atos de governo, resumindo-os a uma caixa preta aberta só aos amigos do peito.

Mais grave, o governador se comporta como um protótipo de ditador fora de época, principalmente se houver, na voz, ou, na escrita de qualquer jornalista, menção à genialidade do primogênito que escalou com sucesso retumbante o mundo empresarial a ponto de despertar inveja e pasmo!

Desta vez, foi numa coletiva em que o governador vociferou sugerindo uma incursão aos escaninhos da Justiça a um jornalista que apenas procurou cumprir seu dever de ofício, sem sugerir qualquer imbricação com o Tesouro do Estado.

Até um singelo oi, duas vogais unidas, empregadas como mero cumprimento, ou, signo de boas-vindas, parece reverberar no governador de forma diversa a ponto de o deixar exasperado, a apontar o dedo e a brandir intimidações.

Por menos assisti coletivas nas quais os jornalistas se retiraram em sinal de protesto contra esse tipo de insulto. Sem mais perguntas. Sem microfones abertos. Sem respostas. Apenas a justa indignação!

Jornalista não comparece a uma coletiva para bajular, mas, para buscar a informação na fonte.

E nestes tempos, onde a democracia é rala, a censura, outrora exercida pela força na ditadura, foi substituída pela recusa do PI (contrato de publicidade) a quem não aplaude.

São outras cinzas, as de hoje; diferentes, pela desfaçatez e arrogância de uma gestão que tropeça no fim!

ITAMAR PERENHA – Pres. do Sindjor/MT

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