
Cerca de 88% dos municípios de Mato Grosso enfrentam alto risco de desabastecimento de água em razão de tempestades intensas. É o que mostra um estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a empresa Way Carbon, que analisa como as mudanças climáticas afetam o saneamento básico no país.
De acordo com o levantamento, 12% das cidades mato-grossenses estão no nível médio de risco de ficarem sem água devido a eventos extremos. Nenhum município foi classificado nos níveis baixo ou muito alto de vulnerabilidade.
A publicação explica que tempestades têm potencial para provocar danos severos à infraestrutura das Estações de Tratamento de Água (ETAs), o que implica diretamente a operação e a distribuição. “Esses eventos podem reduzir a eficiência no tratamento de água devido a danos físicos nas instalações ou interrupções no fornecimento de energia elétrica”, destaca o estudo.
Os municípios mais vulneráveis estão localizados em áreas com previsões de volumes extremos de chuva em um único dia e com menor quantidade de ETAs, o que agrava os riscos de interrupção no abastecimento e a possibilidade de fornecimento de água de qualidade inferior.
O estudo aponta quatro fatores críticos relacionados às tempestades e ao abastecimento de água. O primeiro deles é o aumento de sedimentos nos mananciais. A elevação no volume de chuva carrega mais sedimentos para os reservatórios, o que reduz sua capacidade de armazenamento e dificulta o tratamento da água.
Além disso, as ETAs e equipamentos como bombas de pressurização podem ser danificados com as tempestades, o que compromete o transporte e a distribuição de água. Há ainda o fato de sobrecarga no tratamento. Durante tempestades, as ETAs podem receber um fluxo de água acima da capacidade projetada, diminuindo a eficiência do tratamento. Por último, interrupções na rede elétrica, comuns em tempestades, afetam diretamente o funcionamento das estações de tratamento.
O relatório ressalta que o Brasil tem enfrentado tempestades cada vez mais intensas, um fenômeno associado ao agravamento das mudanças climáticas. Esses eventos extremos colocam em evidência a fragilidade da infraestrutura de saneamento básico, principalmente em regiões onde os sistemas de abastecimento já operam no limite, como em boa parte dos municípios de Mato Grosso.
Conforme os pesquisadores, a combinação de infraestrutura insuficiente e eventos climáticos extremos cria um cenário de maior vulnerabilidade para a população, exigindo investimentos em modernização e resiliência no setor.
























