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ARTIGO

Um gigante adormecido

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Vamos cantar, minha gente! Quem sabe ele acorda:

“Salve, salve o Clube Dom Bosco,
Salve o time da colina,
A vitória está conosco
E a torcida está por cima…”

Quem de nós, que viveu os grandes momentos do futebol cuiabano, não sente uma profunda saudade ao ouvir esse hino?

O simples som dessas palavras é capaz de despertar lembranças de uma época em que o Clube Esportivo Dom Bosco era muito mais do que um time de futebol. Era uma referência esportiva, social e cultural de Cuiabá.

E como esquecer seus grandes torcedores?

Lembro-me de Armindo Pipoqueiro, Henrique Palminha e Carlinhos Iéié. E, lá no último degrau da arquibancada, víamos o saudoso Professor João Crisóstomo, andando nervosamente de um lado para o outro, suspendendo as calças, penteando os cabelos e torcendo freneticamente pelo seu querido Dom Bosco.

E não podemos esquecer o Mexidinha.

A torcida gritava:

“Mexe aí, Mexidinha!”

E ele mexia o corpo inteiro, arrancando risos e aplausos das arquibancadas.

Por onde andarão esses torcedores?

Por onde andarão aqueles dirigentes aguerridos, como Paulo Borges e tantos outros que dedicaram parte de suas vidas ao clube?

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São perguntas que permanecem no ar e que talvez somente a memória seja capaz de responder.

A COLINA QUE BRILHAVA

O que fizeram daquela sede magnífica, onde se reunia a nata da sociedade cuiabana?

O Dom Bosco possuía uma estrutura que lhe dava verdadeiro status de grande clube.

Tinha parque aquático, quadras de tênis, futebol de salão, salão de baile para centenas de convidados e uma localização privilegiada no Bairro Bandeirantes, no alto daquela colina que parecia abraçar Cuiabá.

Era um lugar especial.

Nos intervalos das músicas, os namorados procuravam um cantinho sob a luz do luar e, sentados no alto da colina iluminada, contemplavam aquela vista maravilhosa da nossa cidade.

Ali havia futebol.

Havia esporte.

Havia festas.

Havia encontros.

Havia amizades.

Havia histórias de amor.

Havia, sobretudo, vida.

Por isso, quando olhamos para a situação atual, não estamos apenas diante da decadência de uma instituição esportiva. Estamos diante de parte da memória afetiva de Cuiabá que corre o risco de desaparecer.

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GRANDES PRESIDENTES E GRANDES TIMES

É preciso também referenciar os presidentes que exerceram seus mandatos com dedicação, galhardia e honestidade.

Entre eles, lembro-me do senhor Joaquim de Assis, responsável pela contratação de um time que ficou marcado na memória dos torcedores.

Só para lembrar alguns de seus grandes nomes:

Meio-campo: Fidélis e Barga.

Ataque: Gonçalves, Adilson e Veiga.

Quantos cuiabanos ainda guardam na memória aqueles jogadores, aquelas partidas e aquela emoção de vestir as cores do Dom Bosco?

O futebol não é apenas uma competição.

Ele é também memória, identidade e pertencimento.

A única saída para o Dom Bosco, seria levar os dirigentes a vendê-lo para um grande investidor e implantar a SAF/DOM BOSCO.

Wilson Carlos Fuáh é escritor, radialista, cronista e observador atento da vida política e social de Mato Grosso, é graduado em Ciências Econômica

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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