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ARTIGO

Uma questão de segurança nacional

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Por trás de cada safra recorde de soja, milho e algodão, existe uma complexa engrenagem logística e comercial que, nos últimos anos, tem mostrado sinais preocupantes de desgaste. Estamos falando do abastecimento de defensivos agrícolas e fertilizantes, itens essenciais para a produtividade no campo e que, em grande parte, vêm de fora, com destaque para a China.

O país asiático se consolidou como o maior fornecedor de matérias-primas e defensivos prontos para o agro brasileiro, mas essa dependência, que já foi vista como uma simples questão de mercado, hoje se revela uma vulnerabilidade estratégica que acende um alerta no setor produtivo e na segurança alimentar nacional.

A relação comercial com a China sempre foi pautada por volumes expressivos e preços competitivos, o que, por muito tempo, beneficiou o custo de produção no Brasil. No entanto, nos últimos anos, o cenário mudou. O governo chinês passou a adotar medidas de salvaguarda e controle de suas exportações, seja por razões internas de regulação ambiental, seja por disputas geopolíticas ou simplesmente para priorizar seu próprio mercado. O resultado prático para o agricultor brasileiro tem sido frustrante, com atrasos recorrentes na entrega de produtos já contratados, rompimentos unilaterais de contratos e uma imprevisibilidade que torna o planejamento da safra um verdadeiro exercício de adivinhação.

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Esse cenário de desabastecimento pontual, mas recorrente, tem um efeito cascata que vai muito além do campo. Quando os insumos não chegam ou chegam com atraso, o produtor é forçado a recorrer ao mercado spot, onde os preços disparam, fazendo com que o custo de produção suba, a margem de lucro encolha e, em muitos casos, a decisão é reduzir a área plantada ou investir menos em tecnologia, o que impacta diretamente a produtividade. O aumento dos custos, por sua vez, é repassado, pressionando a inflação dos alimentos que chegam à mesa do consumidor brasileiro.

Estamos, portanto, diante de um problema que não é apenas do agronegócio, mas de toda a sociedade.

A produção de grãos, que é um dos pilares da economia nacional e da balança comercial, fica refém de decisões tomadas a milhares de quilômetros de distância, em um ambiente de negócios que se tornou menos previsível e mais sujeito a rupturas contratuais. Diante desse quadro, a pergunta que fica é: o que o Brasil pode fazer para se proteger?

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A resposta, uma ação coordenada e urgente do governo brasileiro.

Não se trata de romper relações ou adotar uma postura hostil com a China, que continua sendo um parceiro comercial fundamental. Trata-se, sim, de uma necessidade inadiável de uma atuação diplomática firme e inteligente. O Brasil precisa sentar à mesa com as autoridades chinesas e discutir, de maneira clara e objetiva, a previsibilidade e a segurança dos contratos de fornecimento de insumos agrícolas.

Não podemos esquecer que a soberania alimentar de um país começa pela capacidade de produzir com autonomia, e a diplomacia, nesse contexto, não é um luxo ou uma questão de protocolo, é uma ferramenta essencial para garantir que o agricultor brasileiro possa plantar com a certeza de que terá os recursos necessários na hora certa.

Afinal, garantir o abastecimento de defensivos e fertilizantes não é apenas uma questão econômica, é uma questão de segurança nacional e de garantir que o país continue alimentando o mundo com a qualidade, a quantidade e a competitividade que sempre foram nossa marca registrada.

Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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