Há duas semanas, um aluno agrediu um professor de 67 anos, que tentou orientá-lo a sentar em seu lugar. Foi numa escola estadual cívico-militar da região do Coxipó, em Cuiabá. O desfecho poderia ser fatal. No mesmo dia, na mesma escola, três facas foram apreendidas, apesar deste detalhe, ao que parece, ter sido omitido no BO (Boletim de Ocorrência). Não foi uma cena incomum. Há três anos, em outra escola estadual, desta vez paulista, uma professora morreu e outras três ficaram feridas, após ataque de aluno de 13 anos. Em junho do passado, também numa escola estadual, em Maringá (PR), ao querer saber o motivo de sair mais cedo, professor recebeu uma agressão como resposta. Em outubro, outro professor, de 53 anos, por repreender o uso de celular em sala de aula, foi agredido a socos por pai de aluna, em Guará, Distrito Federal. Há uma infinidade de casos, embora a maioria seja tratada mais nas redes sociais que nos noticiosos.
Assusta, porque antes deste tipo de violência se intensificar, como “epidemia silenciosa”, nestas últimas décadas, me lembro de um tempo em que professores e professoras eram respeitados por seus alunos, seja por educação ou por medo. Mas isso foi lá atrás. Atualmente, atentados contra a integridade física de professores da rede pública atingem índices alarmantes ((entre 10% e 12,5%, fazendo o Brasil liderar rankings internacionais de violência escolar).
Embora reverenciados desde o início Brasil República, sempre estiveram indefesos, seja pela limitação da liberdade de ensinar, tentativas de censura ou por perseguição política. Entre 1964 e 1985, por exemplo, durante a ditadura militar, não só escolas e universidades foram controladas, como muitos educadores foram presos, torturados e mortos. Nada demais lembrar, que após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016, a caça às bruxas voltou. Paulo Freire, símbolo de uma educação libertadora, foi demonizado e qualquer educador que fugisse da limitação da “Escola sem Partido”, era ameaçado, inclusive de morte.
Por fim, a violência pecuniária. Segundo o site da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação, boa parte da categoria, majoritariamente feminina (em torno de 78% no ensino básico), leciona semanalmente para até nove ou 10 turmas, ou centenas de alunos, sem infraestrutura adequada ou apoio institucional. Alguns ainda acumulam empregos para manter renda digna. Com o tempo, colhe-se “fadiga e fragilidade frente a conflitos ou situações de risco”.
Entre as opções para mitigar esta situação, estão salários justos, infraestrutura decente nas escolas, com espaços adequados, segurança e apoio pedagógico, gestão participativa, acolhimento e proteção às vítimas de violência. Parece utopia, mas nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), na qual o Brasil sonha em entrar, boa parte destes requisitos é atendida.
Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online























