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“Tem lugar até pior”: secretária debocha de denúncias de precariedade na rede básica de saúde

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Prefeitura de Cuiabá

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Ausência de estrutura, escassez de equipamentos e medicamentos, salários atrasados, falta de leitos para atendimento adequado de pacientes e insegurança. Essas são algumas das queixas de médicos da rede básica de saúde recebidas pela chefe da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, Suelen Danielen Alliend. Os profissionais reclamam ainda do grande número de desfalques nos plantões, o que aumenta o tempo de espera de pacientes em Policlínicas e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital. 

 

Uma fonte ouvida pelo PNB Online relatou que as reivindicações apresentadas pelos médicos para Alliend em um grupo do Whatsapp foram motivo de desdém por parte da secretária. Em mensagens enviadas pela chefe da pasta, indicada em janeiro deste ano pelo prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) para ocupar o cargo, as situações apresentadas pelos médicos foram apontadas como “hipotéticas”. A secretária chega a sugerir que se a realidade fosse como relatada, os profissionais não deveriam mais ocupar seus cargos. 

 

“Entendo que temos problemas sim, mas também não vamos desmerecer, pois se fosse tão ruim assim, muitos já não estariam mais vivendo essas situações hipotéticas ‘sem o mínimo de condições de trabalho’. Não vejo por aí, têm os problemas sim, têm os prós e os contras, mas nada que esteja diferente de outros lugares, têm lugares que está até pior. (…) Sinal que nem tudo está tão ruim assim. Vamos pra frente, sem olhar pra trás, enfrentando o que vem pela frente, buscando melhorar”, disse Suelen. 

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Reprodução

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Em um trecho da conversa, um médico relata que uma criança de três meses em estado gravíssimo por pouco deixou de ser atendida por falta de leito de UTI e do equipamento adequado para sua entubação. Outro profissional compartilha situação parecida, em que a família de uma criança de dois meses que oferecia risco de vida precisou procurar a rede particular para que houvesse atendimento adequado ao caso. 

 

“Passei por esse apuro ontem. Criança de 2 meses, grave, sem vaga para transferência ou UTI. Sem material para oferecer suporte de oxigênio, sem material e suporte para entubar. A família notou que estava piorando e não tinha suporte e evadiu, falou que ia buscar um hospital particular. O coração fica apertado de passar por isso”, relata o médico.

 

Como resposta, a secretária compartilhou uma mensagem que afirma que “pessimistas se queixam do vento”. A redação do PNB Online entrou em contato com a assessoria da Prefeitura de Cuiabá, que, até o momento, não se manifestou sobre o caso.

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Falta de médicos agrava a situação já precária

 

O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed-MT) denunciou, nesta segunda-feira (18.04), a falta de organização da Prefeitura de Cuiabá em completar as escalas médicas de plantão nas UPAS e Policlínicas da capital. Segundo o sindicato, a Prefeitura exonerou vários médicos, mas não teve agilidade para suprir a necessidade das UPAs e Policlínicas, deixando “furos” nas escalas de plantão. Uma médica, que preferiu não ser identificada, relata como a falta de médicos implica de maneira decisiva no atendimento à população. 

 

“Há um grande esforço de toda a equipe de médicos, enfermeiros e técnicos em atender a população da melhor maneira, mesmo diante da falta de estrutura física, de medicamentos e de equipamentos. Mas os furos na escala, que estão cada vez mais recorrentes, prejudicam ainda mais a situação. Os pacientes esperam por muito mais tempo e às vezes não compreendem que nós médicos não temos culpa. Além do desgaste, isso também nos coloca em posição de insegurança que nos preocupa muito”, afirmou. 

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