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ARTIGO

“Não é preciso ter a ferida para se solidarizar com quem sangra”

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Eu me chamo Eduardo Anjos, tenho 26 anos e sou empresário no ramo de ativos judiciais (precatórios). Conheci o AA através de um projeto social em que participava, levando informações jurídicas a instituições filantrópicas.

Antes de entrar na sede do AA, fiz uma oração. Pedi a Deus que minha presença ali não fosse apenas para transmitir informações, mas que pudesse falar de ser humano para ser humano.

Cheguei à minha primeira reunião no dia 15 de maio de 2025. E, para minha surpresa, saí de lá transformado. Ouvi histórias de vida tocantes e, acima de tudo, descobri que ali todos compartilham uma mesma luta — e ninguém está sozinho.

Confesso: como muitos que ainda não conhecem o programa de recuperação sugerido por AA, eu também imaginava que encontraria uma sala com pessoas fragilizadas pelo álcool. Mas o que vi foi exatamente o oposto. Encontrei homens e mulheres fortes, com décadas de sobriedade, dedicados a estender a mão ao próximo. Pessoas que transformaram sua dor em serviço. Que escolheram viver para ajudar outros a se levantarem.

Foi uma das experiências mais marcantes do meu ano — e da minha vida.

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Durante a reunião, conversei com um rapaz da área de segurança pública. Ele me disse que a minha presença ali tinha sido a coisa mais importante do dia. Contou que o álcool lhe tirou muitas coisas. E eu respondi:

“Imagina se você não tivesse passado por tudo isso? Não teria hoje a chance de ajudar tantas famílias que enfrentam o mesmo problema. O álcool não escolhe cor, raça ou classe social. Todos estão sujeitos. Mas tira essa ideia da cabeça de que foi em vão. O que vocês fazem é gigantesco. Às vezes, um simples ‘bom dia’ salva uma vida.”

Fiquei especialmente tocado ao descobrir que o AA não aceita doações, não pede nada em troca. Só quer que o programa seja conhecido e que o preconceito acabe. Acredite: o que existe ali é força, compaixão e dignidade.

Nunca tive problema com o álcool, mas aprendi que não é preciso ter a ferida para se solidarizar com quem sangra. Me emocionei ao perceber como Deus escreve certo por linhas tortas. Como Ele usa as quedas de uns para levantar muitos.

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Hoje eu digo com orgulho: Sou amigo do AA. Essa instituição é um farol para quem enfrenta a escuridão do alcoolismo. Não é vergonha ir às reuniões. Vergonha é continuar afundando em silêncio.

Se você está lendo este texto e sente que chegou ao limite, não tenha medo. Vá. Vai ser a melhor decisão da sua vida. Evite o primeiro gole.

Às vezes, tudo o que precisamos é de alguém que nos entenda de verdade.

Se você está no fundo do poço, saiba que até o fundo pode ser o começo de algo novo. Não desista. Fique bem — só por hoje.

Há um mundo maravilhoso lá fora. E há pessoas que querem te ver bem.

Espero que minha participação, mesmo breve, tenha levado uma mensagem de amor, esperança e acolhimento.

E lembre-se das palavras de Jorge Luis Borges: “Todos os caminhos levam à morte. Percasse.”

Percasse do medo. Percasse da culpa. Abrace a alegria, o amor e a vida.

Eduardo Rodriguez Anjos é amigo de AA

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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