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ROER O FRUTO SEM MEDO

O novo amarelo ouro em Mato Grosso não é garimpo

Com cultivares sem espinhos desenvolvidas pela Embrapa, a produção de pequi avança em municípios de Mato Grosso, amplia o interesse da indústria e se consolida como alternativa de renda para a agricultura familiar.

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(Foto: Embrapa)

A paisagem de Mato Grosso começa a ganhar o colorido “amarelo ouro”, mas não é o garimpo que destrói a natureza e faz a riqueza de poucos, entre eles alguns poderosos da política. O amarelo ouro é do impulso que a produção de pequi começou a ganhar no estado. O incremento da produção desta famosa fruta do Cerrado, que faz parte da cultura gastronômica do Centro-Oeste brasileiro, veio da pesquisa científica da Embrapa. A empresa nacional de pesquisa, que orgulha os brasileiros, criou cultivares de pequi sem espinho.

O pequi é um fruto usado na culinária da nossa região. Com seu forte aroma, é um alimento tipo ame-o ou deixe-o. Agora há uma vantagem do pequi sem espinhos que pode seduzir novos públicos: é que a polpa dele possui sabor mais suave o que, com certeza, vai agradar ao público que hoje tem resistência ou mesmo rejeita consumir o fruto. 

Segundo informações do Globo Rural, a demanda pelo pequi sem espinho está muito aquecida, embora os preços sejam bem superiores aos do pequi comum. A muda do fruto sem espinho é comercializada a R$ 150, valor dez vezes maior do que o fruto com espinho. A ausência de espinhos facilita a extração da amêndoa e o fruto, e mantém as características de cor e sabor convencional, com polpa mais grossa e suculenta.

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No Centro-Oeste, Mato Grosso e Goiás produziram em 2024 cerca de 3,4 mil toneladas de pequi, segundo dados do IBGE. Mas ainda é uma produção muito pequena se comparada ao estado de Minas Gerais, que lidera a produção nacional, com safra de 42,5 mil toneladas, ainda obtidas de forma extrativista.

A produção de pequi tem potencial econômico. A produção sustenta agricultores familiares e impulsiona a economia local, sendo uma cultura promissora para Mato Grosso. O município de Gaúcha do Norte lidera a produção no estado. E em Querência, Canarana, Pontal do Araguaia e Terra Nova do Norte, a produção começa a ganhar impulso. A produção de pequi não ganhou ainda espaço na Baixada Cuiabana.

Além de ser consumido em pratos da culinária de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, o pequi pode ser usado em conservas, e seu óleo é matéria-prima para a indústria cosmética, sabonetes e até medicinal. Pesquisas mostram que a fruta possui antioxidantes, é um anti-inflamatório natural e também pode estar incluída no tratamento do câncer de fígado.

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O fruto vai além: está virando até mesmo etanol e esperança de renda no Pontal do Araguaia, no leste de Mato Grosso. Um projeto, apoiado pelo Programa REM MT (REDD Early Movers), com investimento de R$ 16 milhões, prevê a transformação de parte do fruto em etanol de segunda geração, combustível renovável com menor emissão de carbono.

O potencial das frutas do Cerrado ainda é muito mal aproveitado, um desperdício de riqueza e de oportunidades para a agricultura familiar. No caso do amarelo ouro do Pequi, nesta nova etapa da produção de um fruto sem espinhos, pode despertar um novo tempo para o desenvolvimento de outros frutos típicos do Cerrado, fortalecendo a agricultura familiar. 

* Esta publicação acontece em formato de Jornalismo Colaborativo. Uma parceria entre o PNB Online e a Rede Sucuri.

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