Qual o saldo eleitoral da votação da RGA na Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (21/01)? Entre diversos apontamentos, é inegável que a imagem do governador Mauro Mendes (União) sofreu novos danos. Ele saiu ainda mais queimado junto aos servidores públicos. Existem desgastes cumulativos na conta de Mendes:
– Sua postura imperial, arrogante, avesso ao diálogo;
– Seu desprezo explícito ao papel do servidor no desenvolvimento de Mato Grosso, transformado por Mauro Mendes na erva daninha do estado;
– Sua soberba de se achar acima de tudo e de todos, imune aos desgastes dos escândalos do seu governo e do desgaste com este tratamento cruel dado aos servidores públicos.
A polêmica votação da RGA terá desdobramentos diretos na eleição de 2026.
O governador sai carimbado como um gestor insensível, que não reconhece o valor dos trabalhadores e que não merece o voto dos servidores e das suas famílias, caso seja mesmo candidato ao Senado. De outro lado, essa postura do governador acaba ajudando diretamente a dois deputados estaduais que estão à frente nesta batalha pelos direitos dos servidores: a deputada Janaína Riva (MDB), sua adversária direta a uma das duas vagas ao Senado, e o deputado Lúdio Cabral (PT), candidato à reeleição.
Riva e Cabral ganharam o justo reconhecimento dos servidores, atuando junto a um universo eleitoral que, como destacou o site Gazeta Digital, concentra pelo menos 100 mil votos diretos. Votos desprezados por Mauro Mendes e que certamente farão falta caso ele realmente deixe o governo para ser candidato a senador.

Trincheira ou cova eleitoral?
O governador acredita, politicamente, que cavou uma trincheira eleitoral, colocando a sociedade contra os servidores públicos. De outro lado, numa visada da oposição, Mauro Mendes cavou sua cova eleitoral ao desprezar o voto do servidor. A conferir em qual buraco o senhor governador se enfiou com este embate contra os trabalhadores.
“Apelo” da Base
A base governista fez a sua parte, mas corre o risco de ser contaminada pelo desgaste do governador. A explicação torta de como os parlamentares governistas conseguiram passar dos 4,26% para 5,40%, índice de 1,4% acima da inflação, não é um bom discurso eleitoral para quem pretende ser candidato à reeleição na Assembleia. Dizer que os deputados fizeram um “apelo” ao governador para aumentar o percentual é uma declaração explícita de submissão. Muito ruim. Afinal, um deputado estadual não “apela” a um governador. Um deputado deve reivindicar, cobrar, o governador. Impor valores é intervir no léxico. “Apelo” é, neste caso, sinônimo de submissão.
O servidor público de Mato Grosso tem certeza de que a RGA aprovada não é um começo. Não é exatamente o que os sindicatos buscam e muito menos um avanço significativo. Para o servidor a luta continua: o governo tem que pagar a RGA acumulada entre os anos de 2017 e 2022.
























