Não tem Mauro Mendes, Carlos Fávaro, Otaviano Pivetta, Natasha Slhessarenko, José Medeiros ou Janaína Riva. Quem quer brilhar mais do que os próprios candidatos nestas eleições é o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL). Ele não vai disputar cargo nenhum, mas se auto elegeu o “xerife ideológico” do pleito. Líder da extrema direita em Mato Grosso, Abilio fala, fala, com o seu vocabulário extremista reduzido a três palavras: “esquerda, direita e narrativa”. Revela, é fato, o seu prazer incontrolável de estar o tempo todo sob os holofotes e na mira das câmeras dos celulares.
TUDO JUNTO E MISTURADO
A última de Abilio: o prefeito defende o modo “tudo junto e misturado” na campanha do seu candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL), buscando apoios entre partidos que ele considera de esquerda, o MDB, e de direita podre, o PP, conforme registro dos jornalistas Giordano Tomaselli e Cíntia Borges, do site MidiaNews:
“Eu acho natural que o Flávio receba o apoio do PP. Ele recebe até o apoio do MDB aqui, não tem problema nenhum. Eu não apoio o MDB, mas o MDB quer apoiar o Flávio? Beleza, não tem problema. A única coisa é que você não pode perder são as suas convicções”, disse à imprensa. Ou seja, Abilio autoriza o vale tudo ideológico da extrema direita conduzido por Flávio. O bolsonarismo pode tudo, acima de todos, desde que seja do interesse da família Bolsonaro.
MOMENTO PATÉTICO
O momento patético da entrevista do prefeito de Cuiabá. Abílio argumentou que Flávio e a extrema direita não podem perder a sua lógica, a sua razão e a sua ideologia naquilo em que acredita, mas alianças ilógicas são bem-vindas. “Eu acredito que precisamos resgatar o país. Em vez de ficar brigando entre ideologias, a gente deve trabalhar junto para resgatar o país e tirar o PT do poder”, disse o prefeito que faz o papel de xerife ideológico da eleição. Quem mais briga por “ideologias” é o próprio Abilio, mas no interesse pessoal e do bolsonarismo defende o vale-tudo ideológico do bem bolado, o tudo junto e misturado.
O cuiabano já colocou na conta: 2026 é mais um ano perdido da gestão de Abilio. Ele ocupa o seu tempo com os debates ideológicos e com a defesa da candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao governo de Mato Grosso, contra o seu companheiro de partido, o senador Wellington Fagundes (PL). E marido fiel, defende a candidatura a deputada estadual da esposa, dona Samantha. Cuiabá no abismo fica para depois.























