
Quem diria, a política eleitoral em Mato Grosso também é cultura. Expressões da cultura popular são usadas para expressar as situações tortas que envolvem o ex-governador Mauro Mendes (União). O ex-governador Pedro Taques (PSB) questiona Mendes sobre o Escândalo da Oi usando a expressão cuiabana “panhô ou não panhô” e nesta semana o deputado estadual Júlio Campos (União) afirmou que Mendes está na “pica do Saci” em relação à tentativa de um possível golpe partidário contra o senador Jayme Campos (União), que é candidatíssimo ao governo.
Mendes na verdade tem mais problemas que levam direto ao colo do Saci. 1) Está na pica do Saci em relação às denúncias de outros escândalos de corrupção, como a obra do Parque dos Milionários e suspeitas de desvios recursos na Saúde. 2) Está na pica do Saci com o fiasco da sua joia eleitoral, as obras de pavimentação. Com o escândalo do “asfalto de farelo” na MT-170, Mauro Mendes terá muita dificuldade para explicar ao eleitorado sobre a falta de qualidade das obras asfálticas no estado.
O deputado estadual Júlio Campos (União) afirmou em entrevista aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michelly Figueiredo, na Rádio Cultura, que Mendes está na pica do Saci porque se tentar barrar a candidatura do senador Jayme Campos (União) ao governo será um tiro no pé.
“Nós vamos até o fim e vai ser guerra daqui para frente. Vamos usar todas as armas possíveis porque isso é um desaforo. Tem que ter a convenção porque temos que homologar os candidatos a deputados federais, estaduais, como o próprio senador Mauro Mendes também precisa ser homologado”, afirmou Júlio.
Neste caso, Mauro Mendes se sentaria duas vezes na pica do Saci: 1) a primeira por conta de que a homologação da sua candidatura também poderia ser barrada na convenção do União, cuja maioria dos convencionais defende a candidatura de Jayme ao governo. 2) a segunda sentada é o risco de ganhar a convenção e não levar. Qualquer aprendiz de político sabe, ou deveria saber, que é uma sentada na pica do Saci ser candidato de um partido rachado. Sem União no União, a candidatura de Mauro Mendes ao Senado começará, tal qual um Saci, sem uma perna.
*Pedro Pinto de Oliveira é jornalista e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e Doutor em Comunicação pela UFMG























