Desde o meu primeiro dia como professora de artes no Complexo Educacional Sesc Pantanal, fui impactada pela arquitetura do lugar, em formato de aldeia indígena. A construção, que chama atenção de longe, aproveita a luz natural e, com sua estrutura suspensa, favorece a ventilação e o conforto térmico, reduzindo o consumo de energia. Além de funcional, esse espaço contribui para o aprendizado ao despertar a criatividade e a imaginação de crianças e jovens.
Outro marco foi o encontro com o mural da artista plástica Kaya Agari, do povo indígena Kurâ-Bakairi. Diante da obra, logo se tornou evidente que não se tratava de um projeto educativo comum. A presença do mural anuncia uma escola atravessada por uma cosmovisão fundamentada na coletividade, no diálogo com a natureza e em uma arquitetura que, de forma silenciosa, nos convida a refletir sobre o local onde estamos inseridos, a tecnologia ancestral, a sustentabilidade, as mudanças climáticas e maneiras mais conscientes e integradas de existir no planeta.
A diversidade de espécies de pássaros que habitam o Complexo revela, diariamente, a riqueza de formas de vida que compartilham o mesmo espaço. No dia em que escrevo este artigo, pausamos uma aula para acompanhar a presença de um casal de pica-pau-do-campo, que atravessava o pátio gramado, em uma configuração circular que favorece o encontro e a convivência. Situações como essa reforçam a importância de desacelerar, observar e reconhecer que a natureza também conduz processos de aprendizagem.
A arte, nesse contexto, se apresenta como linguagem viva e integrada à experiência. O mural de Kaya Agari, presente na escola carrega histórias, saberes e provoca reflexões constantes. Em diálogo com o cotidiano dos alunos, a obra amplia a compreensão de que aprender também envolve sentir, pertencer e reconhecer as narrativas que constituem os lugares que habitamos.
A própria arquitetura do Complexo Educacional Sesc Pantanal reforça essa proposta pedagógica. Em diálogo com o ambiente ao redor, o espaço favorece a observação, a circulação do ar, a entrada da luz natural e o contato constante com a paisagem pantaneira. Trata-se de uma arquitetura que convida à permanência, à convivência e ao cuidado, fortalecendo uma educação socioambiental que nos provoca a pensar sobre as formas de habitar o mundo.
A escola se apresenta como um território educativo que nos lembra, diariamente, que não estamos separados da natureza. Somos parte dela. Esse entendimento, profundamente presente nos saberes indígenas, faz parte do cotidiano escolar e amplia a responsabilidade de formar sujeitos atentos às relações entre ambiente, cultura e vida.
Celebrar o Dia dos Povos Indígenas no Complexo Educacional Sesc Pantanal é reconhecer que a educação se constrói no encontro entre saberes, na escuta das culturas originárias e na vivência cotidiana do cuidado com o território.
É reafirmar o compromisso com uma formação que valoriza a diversidade e inspira modos mais conscientes, coletivos e respeitosos de existir.
Mariana Costa Barros é professora de Artes do Complexo Educacional Sesc Pantanal

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