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O GOLPE DE FLÁVIO

Na compra de um Bolsonaro, você leva a família toda

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(Foto: Reprodução)

É impossível separar o inseparável. O ruim e o péssimo estão sempre juntos. O clã que comanda a extrema direita no Brasil, formado pela família Bolsonaro, tem uma unidade dos interesses pessoais, pensam sempre só em si. Não há Bolsonaro “do bem”, não há Bolsonaro “melhor” do que outro Bolsonaro. Todos compartilham um egoísmo militante. É a família deles acima de tudo, o resto é seguidor submisso e aliados de ocasião, que podem ser jogados fora de acordo com a circunstância. O golpe eleitoreiro de Flávio Bolsonaro é tentar se vender como um “Bolsonaro diferente”, sem pai e sem irmãos.

É fato. Jair, Flávio, Eduardo e Carlos valem a mesma coisa, compartilham a mesma esperteza de usar a religião como instrumento político, a mesma ideologia extremista de desprezo ao Outro e, adoradores da ditadura militar, compartilham o mesmo instinto golpista. Ou seja, na compra de um, o eleitor leva a família toda. O Clã pode até brigar em público, mas é pura encenação: os laços de sangue e os interesses familiares falam mais alto, sempre.

Em 2021, escrevi um artigo acadêmico para a Revista Mediapolis de Coimbra, destacando a impossibilidade de analisar a figura pública do ex-presidente Jair Bolsonaro apartada da família dele. Isso vale para hoje também: Flávio é Jair, Eduardo e Carlos. Ele não é um Bolsonaro diferente, não é um Bolsonaro melhor. Ele é um Bolsonaro, simples assim. É só mais um membro do clã que pensa igual ao pai e aos irmãos, mas que hoje tenta se vender como uma figura pública diferente. É o golpe eleitoreiro de Flávio Bolsonaro.

No artigo “A “ideia plana” e a repulsa ao Outro: o caso Bolsonaro(s)”, analisei o bolsonarismo como um estilo de comunicação política baseado na negação do diálogo e na violência verbal. A “ideia plana” refere-se a uma abordagem rasa e única, avessa a reflexões e evidências, que ataca instituições, ciência e cultura.

A “Ideia Plana” é uma metáfora para a comunicação bolsonarista, caracterizada pela recusa em aprofundar discussões. Busca estabelecer uma “verdade única”, rejeitando qualquer contra-argumento ou teste de fato.

A Repulsa ao Outro aponta para a dinâmica que se sustenta na negação e ataque a tudo que represente oposição, pensamento crítico ou diversidade. Inclui a repulsa ao jornalismo profissional e aos jornalistas, à academia e aos cientistas, às artes e aos artistas e a qualquer postura que teste a narrativa do grupo.

O Caso Bolsonaro(s): O termo no plural sugere o uso de estratégias de comunicação similares por Jair Bolsonaro e seus filhos, Flávio, Eduardo e Carlos, criando uma postura de trincheira familiar e autodefesa constante.

Na introdução do artigo acadêmico de 2021 expliquei por que era importante analisar a performance do ex-presidente em interseção com os filhos:

Buscamos analisar a forma da ideia que move o discurso do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e dos seus filhos. Incluímos os filhos do presidente por conta de uma característica peculiar do atual governo brasileiro: os filhos, Flávio, Carlos e Eduardo, participam ativamente dos negócios da República, sejam influenciando o pai em decisões administrativas, por exemplo, na nomeação e queda de ministros, ou atuando juntos nas redes sociais da família com mensagens aos seus seguidores.

Nesse estudo, apresentei como fundamento a forma “plana” da ideia, tanto como uma visada do populismo bolsonarista, de fácil comunicação de sentidos, quanto do seu traço autoritário, posto ser forma fechada ao diálogo democrático. Ideia no singular porque remete à verdade única, não admitindo que outras “ideias” possam conviver no mundo da vida.

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O Mundo Bolsonaro é, assim, o mundo único da  vida.  Eles inculcam a  ideia de verdade única que impõe a ausência do debate democrático. Desprezam a ideia de que a política deve ser orientada por  um  bem comum e  submetida  a  finalidades  morais  coletivas. Em  simultâneo,  os  Bolsonaros  expõem, vistas na performance, tanto a pobreza da substância de sua ideia quanto a força comunicativa do “falar igual a gente”, do tornar comum, parecer o Outro, e entrar na intimidade dos  sujeitos,  também,  pelas  vias  de  suas  fragilidades  e  dificuldades  de leitura da realidade.

A maior expressão que simboliza o egoísmo militante e o fato de que a família está acima de tudo e acima de todos, foi a fala do então presidente Jair Bolsonaro que confessou a lógica de eu e meus filhos, o resto não interessa:

Em  analogia,  o  “E  daí?”,  ao  ser  perguntado sobre o crescente número de brasileiros mortos pela Covid-19, e  o  “pretendo  beneficiar  filho  meu,  sim…Se  puder  dar  filé  mignon  para  o  meu  filho  eu  dou”,    no  caso  da  tentativa frustrada de nomear o filho Eduardo  Bolsonaro  embaixador  em  Washington, situam o caráter do indivíduo que pensa, sempre, primeiro em si e nos seus. Na dimensão desse egoísmo  militante,  a  repulsa  ao  Outro é um sentimento naturalizado na prática política da sua verdade única.

O ideal totalitário e o autoritarismo estão contidos no populismo ao modo Bolsonaro, que se apresenta com algumas características particulares e outras mais gerais: contestação do sistema e anti-ideologia; traços de autoritarismo – militarismo, apelo à cultura da arma e fortalecimento do sentimento do ódio aos adversários e à população que não os apoia e traços de totalitarismo – nostalgia da ditadura e louvação à tortura.

Quem comprar novamente um Bolsonaro no mercado eleitoral precisa saber que corre o risco de colocar no poder a família inteira, os donos do negócio da extrema direita.

01, 02 e 03

Carlos Bolsonaro: Foi apontado pela Polícia Federal como um dos líderes do chamado “Gabinete do Ódio” e, em 2025, foi indiciado por integrar uma organização criminosa que utilizava a estrutura da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) para espionar opositores e disseminar desinformação.

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Eduardo Bolsonaro: Enfrenta denúncias no STF que podem ir a julgamento ainda em 2026, relacionadas a ataques ao Judiciário e incitação ao crime por meio de plataformas digitais.

Flávio Bolsonaro: Caso das “Rachadinhas” (Arquivado). O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) acusava Flávio de liderar uma organização criminosa na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde funcionários de seu gabinete devolviam parte de seus salários (a “rachadinha”). Os crimes citados incluíam peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A relação de Flávio Bolsonaro com as Milícias no Rio de Janeiro é um tema que mistura fatos comprovados de seu período como deputado estadual (ALERJ) com investigações que, em sua maioria, foram travadas ou anuladas no Poder Judiciário nos últimos anos.

Atualmente, em maio de 2026, o cenário jurídico e os pontos de conexão conhecidos são:

  1. Vínculos de Gabinete e Fabrício Queiroz

O principal elo entre o senador e o submundo das milícias foi seu ex-assessor, Fabrício Queiroz.

Contratações: Flávio empregou em seu gabinete na ALERJ a mãe (Raimunda Veras Magalhães) e a então esposa (Danielle Mendonça da Costa) do ex-capitão do BOPE Adriano da Nóbrega, apontado como chefe do “Escritório do Crime” (uma Milícia de matadores de aluguel).

  1. Homenagens e Visitas a Milicianos

Flávio Bolsonaro utilizou seu mandato legislativo para condecorar figuras que depois foram presas ou mortas por envolvimento com o crime organizado:

Adriano da Nóbrega: Recebeu de Flávio Bolsonaro a Medalha Tiradentes (maior honraria do RJ) em 2005, enquanto estava preso acusado de homicídio. Em entrevistas recentes (2024), Flávio defendeu a homenagem, alegando que na época Adriano era um “herói da PM”.

Visitas na Prisão: Relatos de ex-parlamentares e investigações apontaram que Flávio visitou Adriano na prisão mais de uma vez para prestar apoio ao criminoso.

  1. Defesa de Milícias como “Autodefesa”

Historicamente, no início de sua carreira, Flávio e seu pai, Jair Bolsonaro, fizeram discursos na tribuna defendendo as Milícias. O discurso falacioso tentava suavizar a imagem criminosa das Milícia, tratadas pelo pai e filho como grupos de “autodefesa comunitária” contra o tráfico de drogas. Uma visão que o senador tentou desvincular em anos recentes ao ser questionado sobre o crescimento do crime organizado no Rio de Janeiro.

O link para quem quiser se dispor a ler a íntegra do artigo para Coimbra.

*Pedro Pinto de Oliveira é jornalista e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e doutor em Comunicação pela UFMG.

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