O desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, autorizou na última quarta-feira (29) a instauração de um inquérito policial contra a prefeita de Várzea Grande, Flávia Petersen Moretti (PL), para apurar a suposta prática de crimes contra a Administração Pública.
A decisão atende a um requerimento da Procuradoria-Geral de Justiça, por meio do Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO Criminal), que investiga indícios de peculato, fraude administrativa e manipulação indevida de sistemas no Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE/VG).
As investigações tiveram origem em uma notícia-crime apresentada por um perito computacional forense que havia sido contratado pela própria autarquia em agosto de 2025 para auditar os sistemas de informação e a gestão tecnológica do órgão.
Segundo o relatório técnico, foram detectadas graves irregularidades, como divergências em backups e incongruências nos dados de faturamento. O ponto central do esquema envolveria registros anômalos de corte e religação de água em volumes elevados, apelidados de “religações fantasmas”, que serviriam para o pagamento indevido de produtividade a servidores, resultando em potencial desvio de recursos públicos.
O perito relatou que, após apresentar os achados à presidência do DAE/VG e à Controladoria Interna, as apurações foram abruptamente interrompidas devido a uma mudança na gestão administrativa da autarquia. O denunciante afirmou ter sofrido retaliações, sendo exonerado junto com outros colaboradores, enquanto um dos servidores apontados como envolvidos nas fraudes teria sido promovido.
Além disso, foram reportadas ameaças e condutas intimidatórias por parte de um assessor administrativo-financeiro, além da existência de áudios que mencionam esquemas de corrupção envolvendo empreiteiras e acesso indevido a informações sigilosas.
A decisão do desembargador Orlando Perri destaca que registros sonoros em posse dos investigadores indicam que a prefeita Flávia Moretti teria conhecimento dos fatos narrados e das irregularidades administrativas em curso.
O magistrado determinou a remessa dos autos à autoridade policial vinculada ao NACO para a realização de diligências, incluindo perícia técnica em arquivos digitais, extração de logs de sistemas e oitiva de servidores. O processo seguirá sob o sigilo.





















