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CUIABÁ NO ABISMO

Sem melhorar a vida dos cuiabanos, Abilio é “político top do Instagram”

Abilio Brunini, é fato incontestável, sabe administrar o debate nas redes como poucos prefeitos no Brasil. O valor prático dessa conquista, porém, é medido hoje pelos cuiabanos no mundo real: sabem que é apenas fumaça digital. Não substitui o trabalho dedicado e competente que a gestão de uma cidade exige. O chamado “Prefeito Tik Tok”, ou “Prefeito Instagram”, dedica todo o tempo do mandato para cuidar das suas narrativas ideológicas da extrema direita. É pouco. Cuiabá merece mais.

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), líder da extrema direita de Mato Grosso, entra no top 15 dos políticos mais influentes do Instagram e avança em ranking nacional. O que isso tem a ver com a população? Nada, rigorosamente nada. Seria cômico se não fosse trágico, a influência digital de Abilio não traz resultados práticos e não melhora em nada a vida dos cuiabanos. Seus conteúdos são narrativas ideológicas; deboches e ataques aos adversários e, agora, vídeos de defesa dos escândalos que começam a surgir na sua gestão caótica. 

É inegável a esperteza digital de Abilio, um legítimo político-celular, usa as redes sociais com uma habilidade genial, uma espécie de gênio do mal que estimula o extremismo e o vazio da política reduzida ao deboche e aos ataques a adversários. Ele aparece entre os 15 políticos brasileiros com maior engajamento no Instagram, segundo levantamento divulgado pela página especializada O Cara dos Rankings. Os dados referentes ao mês de maio mostram que o político da extrema direita alcançou uma média de 69.230 interações por publicação, garantindo a 15ª colocação no ranking nacional. 

O estudo, segundo o site Olhar Direto, considera a média de interações por publicação, somando curtidas e comentários e dividindo o resultado pelo número de postagens realizadas no período. Segundo a metodologia adotada, o critério busca medir a capacidade de cada perfil gerar conexão com o público, sem privilegiar quem publica em maior quantidade.

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Os fatos são subversivos. Os conteúdos de Abilio não representam qualidade de gestão. Seus conteúdos são narrativas ideológicas, ataques aos adversários e vídeos de defesa dos escândalos que começam a surgir na sua gestão caótica. Diferente por exemplo, à esquerda e à direita, do presidente Lula (PT) e do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) que apresentam as ações da sua gestão. Ambos aparecem neste mesmo ranking, só que mostrando que trabalham, o que não é o caso do prefeito de Cuiabá, avesso ao trabalho sério.

Reprodução / Instagram

Entre as métricas de vaidade versus os resultados reais, as curtidas, comentários e visualizações no Instagram não se revertem automaticamente em melhorias na qualidade de vida de Cuiabá. O povo não anda em “ruas pavimentadas por likes” nem é atendido em “UPAs abastecidas por engajamento”.

É necessário analisar a natureza da visibilidade abiliana. Questiona-se muito por qual motivo a visibilidade ocorre. Muitas vezes, o nome do prefeito ganha tração nacional devido a polêmicas, embates acalorados com vereadores, ou postagens provocativas — uma marca de seu estilo performático desde os tempos loucos de vereador e de deputado federal.

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Há o temor de que o esforço para se manter no topo dos algoritmos das redes sociais consuma uma energia da máquina pública que deveria estar concentrada exclusivamente no planejamento técnico e na solução de problemas crônicos de Cuiabá, como o saneamento e as finanças municipais.

Abilio Brunini, é um fato incontestável, sabe administrar o debate nas redes como poucos prefeitos no Brasil. O valor prático dessa conquista, porém, é medido pelos cuiabanos no mundo real: sabem que é apenas fumaça digital. Não substitui o trabalho dedicado e competente que a gestão de uma cidade exige. O chamado “Prefeito Tik Tok”, ou “Prefeito Instagram”, dedica todo o tempo do mandato para cuidar das suas narrativas ideológicas da extrema direita. É pouco. Cuiabá merece mais.

Pedro Pinto de Oliveira é jornalista e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e Doutor em Comunicação pela UFMG.

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