Há vários tipos de candidatos, mas apenas dois merecem aqui a nossa atenção. Tem aquele que faz propostas convincentes, mostra-se verdadeiramente compromissado com a toda a população, deseja realmente melhorar as condições de vida dos mais fragilizados, propõe medidas plausíveis em prol das mulheres e contra todo e qualquer tipo de violência. Suas propostas respeita a lei e sabe que a educação e a cultura da paz é o caminho ideal para solucionar os grandes problemas do país.

O outro candidato ou candidata, chamados de populistas radicais, são aqueles que gostam de gritar, de atirar a primeira pedra, de defender a pena de morte e deixar o condenado “apodrecer na cadeia”. Vão ainda mais longe, defendem prender adolescentes a partir dos 14 anos. “Ele tem mais é que apanhar”, costumam dizer, movidos pela ignorância radical. Essa violência verbal e de ódio parece ser as palavras de ordem de um grupo de candidatos e candidatas em Mato Grosso. São formas e conteúdos embutidos nas palavras, nos gestos, nos comportamentos de muitos deles e delas, sim, porque há mulheres que assumem esse discurso ignorante de ódio e de promessas falsas de solução pela radicalização.
A estes, na falta de projetos concretos, honestos, sinceros em prol da população do estado se ocupam em ressuscitar o mito do valente, da guerreira, do herói, de alguém que se diz capaz de mudar a realidade de Mato Grosso com estes discursos de ódio e de violência verbal. Se violência fosse resolvida com violência mais forte e contundente não precisaríamos de mitos valentes para nos salvar: viveríamos eternamente em guerra.
A luta pelo voto é hoje marcada por dois discursos completamente antagônicos, mas que sobrevivem na mesma fala como se fossem irmãos siameses: ao tempo que este tipo de candidato ou candidata prega palavras de ódio e usa as redes sociais como espaço de violência verbal para se mostrar valente, agradece a Deus como se fosse um cristão ciente da bondade e do amor pregados por Jesus Cristo.
A depender do lugar presencialmente visitado o político ou política mito de valente converte-se em um cristão exemplar, orando a Deus, apertando mãos, trocando abraços, até levanta os braços e a cabeça como querendo dizer que está em um estado de graça, especialmente se estiver no púlpito ou no palco. Nas redes sociais e comícios é o império do ódio e da violência verbal.
Sem debates consistentes, respeitosos e propostas educativas e esclarecedoras, a prática da violência verbal, com ataques pessoais e insultos, cria uma atmosfera de violência que agrada eleitores mais entusiasmados com a valentia. O político, que quer representar a população com esse tipo de comportamento não faz outra coisa senão transmitir à sociedade que o caminho é a violência: Político assim estimula a violência que ele mesmo quer que apodreça na cadeia.
Uma pergunta deve-nos orientar: a violência verbal e o ódio pregados por muitos candidatos e candidatas, sobretudo nas redes sociais, não estariam estimulando machistas e outros valentes a abusar de suas esposas, namoradas, companheiras?
Não há respostas prontas para isso, mas sabemos que quando um agride, o outro revida, quando alguém ataca a mulher por ser mulher e vulnerável, muito mais ele agride e até assassina, como mostram os índices de violência contra a mulher em Mato Grosso. Mas quando o candidato ou a candidata respeita o eleitor e trabalha para a população e não para os seus próprios interesses, a violência não prospera.






















