Nestas eleições gerais de 2026, Mato Grosso enfrenta uma enxurrada de pesquisas de intenção de votos, muitas delas feitas com custos baixos e sem muita transparência na metodologia adotada. A divulgação quase que ininterrupta de intenções de votos contribuem para pressionar o eleitor indeciso e para conseguir a alteração do voto de quem já decidiu. A divulgação constante de pesquisas eleitorais atende principalmente interesses de grupos financeiros e políticos ávidos por controlar os resultados das urnas.
Pesquisas não são um problema, ao contrário, devem ser uma ferramenta útil para os candidatos, para os apoiadores e eleitores. A questão principal está na tentativa de grupos criminosos de pressionar psicologicamente o eleitor com números falsos. Nas eleições municipais de Cuiabá, em 2024, o candidato da União Brasil, Eduardo Botelho, era tido pelas pesquisas como eleito no primeiro turno, não foi nem para o segundo turno.
Para os institutos de pesquisas eleitorais comprometidos com a seriedade e responsabilidade técnica/científica de seu trabalho, o maior temor é ver que suas previsões não foram correspondidas pelos resultados das urnas, o que raramente acontece, já que os resultados se mostraram no que é considerado dentro da margem de erro. Já os demais institutos divulgam resultados que são do interesse de seus patrocinadores, falseando números com a clara intenção de influenciar os eleitores.
Em Teresina, no Piauí, uma representação julgada procedente pela 1° Zona Eleitoral de Teresina mereceu um estudo que examinou a correlação do marketing adotado, as narrativas políticas e o Direito Eleitoral. A conclusão do estudo é que “as pesquisas fraudulentas não constituem meros erros estatísticos, mas instrumentos deliberados de desinformação, com efeitos mensuráveis sobre o processo democrático”.
Para muitos analistas, a quantidade de pesquisas eleitorais fraudadas e sua divulgação incessante tem como propósito influenciar nos resultados. Se antes as pesquisas tinham o objetivo de acompanhar o movimento do eleitor a partir das propostas dos candidatos, hoje a quantidade de pesquisas inverídicas quer sobretudo, com base em números mentirosos, influenciar o voto do eleitor. Se antes a pesquisa servia para o candidato balizar seu discurso com os desejos do eleitor, hoje é o de provocar o que é chamado de “efeito manada”, ou seja, levar o eleitor a escolher quem aparece na frente.
Um dos mais importantes pesquisadores no Brasil sobre pesquisas eleitorais, Fernando Meireles, registrou entre 2012 e 2024 mais de 52 mil pesquisas registradas no Tribunal Superior Eleitoral. Só em 2024, registraram suas pesquisas 621 empresas, destas 25 empresas realizaram mais de 100 pesquisas.
Já os professores Felipe Nunes, da Universidade Federal de Minas Gerais, e Frederico Batista Pereira, da Universidade do Norte da Carolina, nos Estados Unidos, verificaram que as diferenças nos resultados das pesquisas de intenção de votos e das urnas no primeiro turno da eleição presidencial de 2022 foi um fenômeno que também ocorreu nas eleições de 2018 e 2014.
O estudo sugere que há um fenômeno nas eleições brasileiras que foi por eles chamado de decisões tardias, ou seja, eleitores persuadidos de véspera para mudar suas escolhas e a disposição de indecisos de serem persuadidos por vídeos de campanhas. Embora estes autores não discutam pesquisas que falseiam números, a hipótese do voto tardio sugere tanto a cautela do eleitor quanto a influência das pesquisas em sua decisão.
A indústria de pesquisas eleitorais fraudulentas e criminosas que contaminam o ambiente político não quer contribuir com o eleitor e servir de ferramenta auxiliar aos candidatos, assim se comporta criminosamente para eleger políticos comprometidos com os interesses econômicos e políticos dos grupos que patrocinam estas pesquisas.























