O empresário Odilio Balbinotti Filho, primeiro suplente do candidato ao Senado José Medeiros, na falta de algo importante para discutir com a população, disse que o termo feminicídio foi inventado pela esquerda. Pela lógica do candidato a suplente, se a esquerda criou o termo não é gente da esquerda que está assassinando mulheres. Quem inventa algo que é contra si mesmo?
Não é nada disso, senhor empresário. Quem assassina suas esposas, companheiras, namoradas, são homens machistas, criminosos que se consideram donos das mentes e dos corpos das mulheres. Quando o candidato a suplente fala publicamente uma bobagem dessas, o que ele espera obter? Elogio do patrão, aplausos dos criminosos?
Talvez o próprio candidato a suplente tenha esse hábito: inventar uma inverdade quando a história mostra o contrário. Então, para agradar o patrão, planta uma mentira e não se importa de posar de desinformado. O que importa à extrema direita, ao que parece na fala do empresário, é culpar as próprias mulheres, pois foi uma mulher que usou este termo pela primeira vez.
Diana Russel, socióloga Sul Africana examinou o assassinato de mulheres em contextos de guerra e, para diferenciar dos demais homicídios, chamou estes episódios de feminicídio, uma alusão ao genocídio que é a morte de homens, mulheres, crianças, idosos, planejada e calculada e geralmente comandada por homens ditadores, como Pot Pol no Camboja, Adolfo Hitler, na Alemanha, entre muitos outros, inclusive por candidatos a ditador.
O que está infelizmente acontecendo no Brasil, crimes de feminicídio foram antes verificados no México, na cidade de Ruarez, o que levou a Corte Americana de Direitos Humanas a condenar os responsáveis. Depois destes episódios, o termo feminicídio foi popularizado em várias partes do mundo e criminalizado em leis, como ocorreu no Brasil e em outros países da América Latina.
O próprio empresário Balbinotti em sua publicação lembrou que Mato Grosso é recordista nacional de crimes contra as mulheres. Ao invés de se mostrar envergonhado e sensibilizado por estes números, preferiu ignorar o problema e com uma mentira jogar lenha na fogueira de uma guerra ideológica que a própria extrema direita se ocupa de criar, propagar e prolongar.
Ao invés de mentiras, o candidato a suplente deveria ressaltar a importâncias das mulheres, o convívio harmonioso, respeitoso e lembrar que as mulheres são mães, filhas, esposas, companheiras de luta, de trabalho e não posse ou objeto como muitos representantes da extrema direita deste modo já se manifestaram publicamente.
Além de tirar a vida destas mulheres, os assassinos deixam famílias desfeitas, crianças com mães mortas e pais nas prisões, uma quantidade de problemas de toda ordem, mentais, físicos, financeiros, problemas que dificilmente serão resolvidos ao longo da vida. É sobre isso, essa realidade, que o candidato deveria se ocupar.
























