Quando chega a eleição é o momento em que cidadão aumenta a sua perspectiva de dias melhores em todas as atividades do governo: serviços públicos, saúde, educação, segurança, infraestrutura, emprego e oportunidades.
Enquanto alguns travam batalhas pelo poder, a vida real continua acontecendo do lado de fora dos palanques.
Quando não existem argumentos suficientes para convencer, surgem os ataques.
Quando faltam propostas, aparecem acusações.
Quando falta conteúdo, fabrica-se escândalo.
Quando o adversário cresce, tenta-se destruí-lo.
E quando a política chega a esse ponto, o debate público deixa de ser uma disputa saudável pela confiança do eleitor e passa a ser uma batalha pela sobrevivência política.
Mas existe uma pergunta que não pode ser esquecida:
Quem paga a conta dessa guerra?
É a população.
Por isso, talvez seja necessário mudar a pergunta que fazemos durante uma eleição.
Em vez de perguntar apenas quem é contra quem, precisamos perguntar:
Quem tem propostas?
Quem apresenta um projeto viável?
Quem tem uma trajetória pública que pode ser examinada?
Quem consegue explicar o que pretende fazer e como pretende fazer?
A democracia não precisa de candidatos perfeitos. Precisa de cidadãos atentos.
Porque o voto não é uma arma para destruir o adversário. É um instrumento de escolha.
E eleição não deveria ser uma guerra de inimigos.
Deveria ser uma oportunidade de apresentar caminhos diferentes para o futuro da sociedade.
No final, as urnas silenciam os discursos e revelam a decisão do eleitor.
A política, entretanto, não termina quando termina a eleição. É justamente depois dela que começam as cobranças.
Por isso, aqueles que entram na disputa pelo poder deveriam lembrar que a cadeira conquistada pertence ao exercício da representação pública, não à propriedade particular de quem venceu.
O poder passa. O mandato passa. A eleição passa.
Mas as consequências das escolhas permanecem na vida das pessoas.
E talvez esteja aí a maior responsabilidade de todos os envolvidos no processo eleitoral: candidatos, partidos, imprensa, redes sociais e, principalmente, eleitores.
Porque quando a política transforma o adversário em inimigo, a mentira em estratégia e o ataque em argumento, alguma coisa muito importante está sendo perdida pelo caminho.
A política pode ter adversários. Não precisa fabricar inimigos.
E o eleitor merece muito mais do que uma avalanche de acusações.
Merece verdade, propostas e respeito.
Afinal, quem observa a política pela janela suja dos interesses pessoais enxergará apenas adversários.
Quem conseguir abrir a janela transparente do interesse público poderá enxergar aquilo que realmente deveria estar no centro de qualquer eleição:
o futuro da sociedade.
Wilson Carlos Fuáh é escritor, radialista, cronista e observador atento da vida política e social de Mato Grosso, é graduado em Ciências Econômica

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online
























