Eu acredito no Setembro Amarelo!
Acredito na importância de falar sobre suicídio, de quebrar silêncios, de estimular a busca por ajuda e, principalmente, de lembrar que saúde mental precisa estar na agenda o ano inteiro.
Mas talvez a gente precise repensar a forma como estamos fazendo isso.
Não acredito que Setembro Amarelo seja apenas colocar uma arte amarela nas redes sociais, distribuir um laço ou fazer uma ação porque “chegou setembro”. Se durante os outros onze meses ninguém fala sobre saúde mental, será que uma postagem em setembro é suficiente?
Para mim, não.
Por isso, neste Setembro Amarelo, proponho uma ideia: Setembro Amarelo de janeiro a janeiro.
E proponho também os três Ps do Setembro Amarelo: Prevenção, Promoção e Pósvenção da Saúde Mental.
Prevenção, porque precisamos falar sobre aquilo que pode evitar que o sofrimento chegue ao seu limite. O suicídio é uma questão de saúde pública, mas antes dele existe sofrimento, existe adoecimento, existem pessoas que muitas vezes estão pedindo ajuda de diferentes maneiras. Falar, escutar, acolher e identificar sinais também é prevenção.
Promoção, porque saúde mental não pode ser lembrada somente quando existe uma crise. Promover saúde mental é criar espaços de conversa, conhecimento, acolhimento e psicoeducação. É quando uma empresa abre espaço para falar sobre o assunto. É quando uma escola conversa com seus alunos. É quando uma família aprende a ouvir. É quando deixamos de tratar saúde mental como tabu.
É exatamente por isso que eu sou tão encantado com o Setembro Amarelo: porque ele abre portas para uma conversa que muitas vezes não aconteceria.
E existe ainda um terceiro P, talvez menos conhecido: Pósvenção.
Na Suicidologia (ciência que estuda o comportamento suicida), pósvenção se refere às ações de cuidado e apoio destinadas às pessoas afetadas por um suicídio, especialmente familiares, amigos e outras pessoas próximas. Também precisamos olhar para quem sobreviveu a uma tentativa de suicídio e continua precisando de acolhimento e cuidado. A pósvenção é, portanto, também uma forma de prevenção.
Perceba uma coisa: eu não estou falando dos três P’s do Combate e Prevenção ao Suicídio.
Estou falando dos três P’s do Setembro Amarelo: Prevenção, Promoção e Pósvenção da Saúde Mental.
Porque, para mim, Setembro Amarelo não pode ser apenas sobre a morte. Precisa ser, sobretudo, sobre a VIDA.
E talvez essa seja a pergunta que deveríamos levar para além de setembro:
O que estamos fazendo pela saúde mental das pessoas nos outros 11 (onze) meses do ano?
Se a resposta for nada, talvez esteja na hora de transformar o Setembro Amarelo em um compromisso de Janeiro a Janeiro.
Porque saúde mental não tem calendário.
Alan Barros é escritor, terapeuta integrativo, palestrante de Saúde Mental, ativista do Setembro Amarelo e embaixador Nacional do Janeiro Branco

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online























