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ARTIGO

Não à hipocrisia 2

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Um deputado federal, que se tornou irmão de dois pastores evangélicos, que se tornaram irmãos (na verdade, um deles, cunhado) de um banqueiro, que se tornou irmão de um candidato (da extrema-direita) à presidência da República. Ao contrário do poema Quadrilha (!) de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)*, mineiro como três destes quatro personagens, nenhum se suicidou, mas o banqueiro e o cunhado estão presos e o candidato a presidente está mais sujo que pau de galinheiro. Naturalmente, até uma sentença definitiva, todos têm direito à presunção da inocência.

Dessa forma, interpretei o vídeo de Fábio Porchat, “Revelando: Grandes Igrejas, Master Negócios”, tirado do ar pela Meta no Instagram, mas recolocado algumas horas depois, após muita pressão e ter atingido seis milhões de visualizações. Porchat questiona como estes personagens (o deputado, os pastores, o banqueiro e o candidato presidencial) se tornaram uma irmandade.

Enquanto isso, entram em cena os que ainda não estavam na história (do poema). Em especial, um dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) suspeitos de estarem na decantada lista do banqueiro. O primeiro indicado (à Suprema Corte) pelo pai do candidato a presidente. (Sobre o outro, aqui foi dito na semana passada). Segundo os noticiários da semana passada, ele tomou duas decisões envolvendo as campanhas presidenciais. Numa, deu 24 horas para o Instagram retirar a publicação associando o candidato da extrema-direita ao banqueiro, sob pena de multa. Na outra, rejeitou o pedido de exclusão do vídeo relacionando a vitória do candidato progressista em 2022 ao crime. Argumento: “associar o nome de um candidato a investigados ou a fatos criminosos sem ‘comprovação concreta’ poderia atingir sua honra e imagem diante do eleitorado”. O outro, contudo, apesar do áudio, revelado pelo site Intercept, em que o candidato da extrema-direita pede dinheiro ao banqueiro, admitido pelo próprio após algumas relutâncias, foi mantido Lembrei-me da expressão: “aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”.

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Para completar. mais duas notícias publicadas na semana passada. Primeira: o ministro teria curtido o carnaval de 2024 num trio elétrico patrocinado pelo banqueiro. Foi fotografado vestindo um abadá no desfile de um bloco, cujas redes sociais passaram a publicar conteúdo com o patrocino, ao lado de outras três marcas, do banqueiro. Segunda notícia: contrato em celular do banqueiro indica pagamento de até R$ 427 milhões a escritório da mulher de um desembargador, em contato que os vincula ao ministro, conforme interpretação da Polícia Federal. Nenhum pagamento foi efetuado.

Domingo, 4, é dia de eleição. Bora preparar nossas colinhas?

* João amava Teresa que amava Raimundo/que amava Maria que amava Joaquim/que amava Lili que não amava ninguém/João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento/Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia/Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes/que não tinha entrado na história.

Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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