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Maestro ensaia para reger políticas públicas em Cuiabá

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arquivo pessoal

Fabrício Carvalho

 

Acostumado aos palcos, grandes plateias e aplausos, o maestro Fabrício Carvalho, presidente do diretório do Partido Democrático Trabalhista (PDT), em Cuiabá, é pré-candidato a prefeito da capital. Carvalho afirma que não é a vaidade que o faz querer ser prefeito da capital e, ao trocar a batuta com a qual rege os músicos e seus instrumentos pelo poder de decisão no Palácio Alencastro, pretende colocar em prática a experiência como gestor ao longo de oito anos na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde além de diretor artístico e maestro titular da Orquestra Sinfônica, foi pró-reitor de Cultura e Extensão. Fabrício também é empresário. 

 

Em entrevista ao PNBOnline, o pré-candidato do PDT demonstrou uma identidade partidária não muito comum nos dias de hoje, em que muitas vezes, a sigla é apenas um meio para o que o candidato possa cumprir o protocolo da justiça eleitoral. Fabrício Carvalho revelou como está construindo a candidatura e as possíveis coligações que em Cuiabá devem seguir a mesma linha do PDT nacional se aliando ao PV, PSB e Rede Sustentabilidade. Veja os principais pontos da entrevista:

  

PNBOnline –  Por que a decisão de ser pré-candidato a prefeito de Cuiabá pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT)? 

Fabrício Carvalho – A história do PDT tem uma marca que pra mim é muito importante. A educação é uma das linhas de trabalho, por isso que vim para o partido. Eu acredito que a democracia é um canal para equilibrar as vontades sociais de maneira equânime e o trabalhismo é um canal social porque você tem a chance de viabilizar emprego para as pessoas, isso é dignificante. Construir propostas que gerem emprego e renda, fazer com que a pessoa se sinta valorizada, socialmente referenciada e tenha protagonismo de vida. O PDT fez 40 anos e as três linhas de trabalho que defende são exemplos de política pública. Trazendo isso para a nossa realidade, está claro que em um estado eminentemente agro como Mato Grosso, que precisa de um processo de industrialização, que ainda depende de serviços e renda pública, o partido tem que dialogar com estes espaços. O PDT é a minha segunda experiência política. Militei seis meses na Rede Sustentabilidade. Foi importante, mas ele tem uma ação mais restrita. Quando eu decidi pelo projeto e testar as minhas teses, vi que o PDT é o partido que tem mais similaridade com a minha perspectiva de vida, os meus sonhos e com o posicionamento frente à situação nacional que estamos vivendo.  

 

PNBOnline- Como está a construção da sua candidatura para as eleições municipais?

Fabrício Carvalho – Não vim sozinho para o PDT. Tem muita gente da universidade, da cultura, professores que conheciam o meu trabalho à frente da Orquestra Sinfônica e da UFMT, discutindo questões como a Lei Kandir (isenção de impostos na exportação de produtos agrícolas), sobre emprego e renda no meio universitário. Ao assumir o diretório municipal do PDT, a proposta de ser candidato veio de forma natural e a ideia dialoga com todos os segmentos da sociedade de maneira um pouco mais democrática como aprendi na academia. Estou neste momento analisando pesquisas com a Fundação Leonel Brizola, que está levantando os números da cidade na área da educação, saúde, segurança pública, transporte público, cultura e turismo, para que a gente possa ver o que está bom e pode melhorar e reformular o que não está funcionando. Com esse suporte, deixa de ser uma política do achismo, da vontade pessoal ou de um grupo, para que as teses sejam referenciadas do ponto de vista científico. Mais do que nunca, a gente está vendo com esta pandemia que a ciência é fundamental para a tomada de decisões e não o que eu acho ou o grupo político defende para beneficiar x ou y. Nestas eleições, no meio de uma pandemia, não vai ter o corpo a corpo e vão nos forçar a construir propostas baseadas na ciência e na verdade: ‘ah, não está funcionando o sistema de saúde no Jardim Florianópolis, por quê’? Temos que analisar qual é a conjuntura do bairro, como está o sistema de esgoto, de transporte público, as UBSs (Unidades Básicas de Saúde), para sem ser personalista e só fazer a crítica pela crítica, ter proposta para a sociedade avaliar. Não sei fazer de outra maneira. Fui gestor público durante muito tempo de um universo controlado e as teses que construí e deram super certo lá, quero fazer na cidade. 

 

PNBOnline – Você acredita que o seu perfil intelectual, vinculado à academia e à cultura pode ser objeto de ataque dos seus adversários como quem não conhece a realidade da periferia, das classes menos abastadas da sociedade? 

Fabrício Carvalho – Tenho 45 anos, não comecei ontem e uma das marcas do meu trabalho foi justamente sair dos salões fechados e encontrar as pessoas. Fiz democratização da orquestra da universidade levando a música para os bairros. Guardadas as devidas proporções é isso que eu farei como prefeito. O case de sucesso, o que está dando certo, reitero, será ampliado. Mas, o que está aí, não está dando certo. A gente tem um “gap” (espaço) muito grande que precisa ser ocupado e não está sendo oferecido. Vamos buscar algo a mais e o trabalho de um prefeito, em suma, é recolher impostos, aferir e devolver para a cidade políticas públicas. Ser gestor é ter a maturidade e as referências técnicas para construir e fazer a vida das pessoas melhor. O meu grande desafio é conversar com todas elas de uma maneira que essa mensagem seja clara e a gente está formatando propostas para quem está na ponta e efetivamente importa, tenha a chance de conhecer. Fazendo alusão, de novo, ao trabalho com a orquestra. Essa coisa de que muitas pessoas não gostam de música clássica, pode ser que não gostem porque não conhecem e não têm acesso. Então, há 22 anos eu levo a orquestra para que as pessoas tenham acesso à música. Por isso que o público aumentou, por isso que a gente se associa com movimentos importantes de saúde como a MTmamma (Associação de Apoio a Pessoas com Câncer de Mama de Mato Grosso) e o audiovisual. 

 

Há uma sede das pessoas por novidade – Bolsonaro (o presidente do país) foi uma péssima novidade, mas muitos estavam sofrendo com a dicotonia PSDB (Partido da Social Democracia do Brasil) e PT (Partido dos Trabalhadores) e com o  apoio de parte da sociedade criou-se uma ilusão de que seria a solução. Não é verdade. Eu trago soluções, sem falsas promessas, propostas em cima de um projeto que tem lado – centro esquerda – que preza pela educação, que quer 100% de escolas em tempo integral, que tem que ter 100% dos ônibus do transporte coletivo com ar condicionado em Cuiabá e vamos trabalhar por isso. 

 

Tenho 45 anos, não comecei ontem e uma das marcas do meu trabalho foi justamente sair dos salões fechados e encontrar as pessoas. Fiz democratização da orquestra da universidade levando a música para os bairros. Guardadas as devidas proporções, é isso que eu farei como prefeito. O case de sucesso, o que está dando certo, reitero, será ampliado.

PNBOnline – O que o senhor pretende priorizar se for prefeito da cidade?

Fabrício Carvalho – Trago a bandeira da educação como elemento comum a todas as áreas. Na saúde, chamar para um grande pacto, organizar a saúde preventiva, trabalhar com conceitos e saúde em escolas, ampliar Postos de Saúde da Família (PSFs) e UBSs, referenciando o sistema público de saúde (SUS), creches para as crianças, educação integral, valorizando professores com treinamento, alunos com alimentação, saúde, cultura  e esporte. Escolas municipais abertas no final de semana. Na segurança pública, ter um trabalho integrado do município com o estado. Este diálogo tem que ser perene. O que está acontecendo entre Mauro (governador de Mato Grosso, Mauro Mendes) e Emanuel (prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro) é uma grande bobagem, é uma desinteligência, isso é de um personalismo que só faz mal para a cidade. Ter o transporte coletivo com ar condicionado. Vamos trabalhar com metas para que isso aconteça.   

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PNBOnline – Quais os planos para revitalização do Centro Histórico em Cuiabá? 

Fabrício Carvalho – Nossa proposta para o Centro Histórico é fazer cultura, comércio, turismo, ruas 24 horas, vamos urbanizar, vamos socializar, cuidar da pessoas que estão ali, reformar toda a Ilha da Banana, fazer do Morro da Luz um local de visitação turística. O Centro Histórico vai ser a grande paixão de Cuiabá.

 

PNBOnline –  O que o senhor pretende fazer com os moradores de rua que vivem na região, as casas históricas que estão deterioradas, os moradores antigos?

Fabrício Carvalho – Vamos conversar com as famílias e recuperar em parcerias público privadas todas as casas declaradas pelo Iphan como sendo patrimônio histórico e conversar com os Cras, levantar as pessoas que estão sentadas no Centro Histórico, colocar de pé e botar pra caminhar. Temos ideias e iniciativas pelo Brasil que deram certo e a gente pode fazer aqui.

 

PNBOnline – Na campanha em 2018, o prefeito Emanuel Pinheiro também prometeu fazer um restaurante com elevador panorâmico no Morro da Luz e nada foi feito até agora. 

Fabrício Carvalho – A população tem que ser poupada deste tipo de coisa. A gente sabe que não vai acontecer, não fala o que você sabe que não vai fazer, não minta para as pessoas. Não conseguiu fazer nem a festa dos 300 anos da capital, passou em branco.

 

PNBOnline – Mas então o senhor não acha complicado fazer este tipo de promessa? Provavelmente, Emanuel acreditava que seria possível fazer?  

Fabrício Carvalho – Será? Ou ele foi iludido por uma proposta de marketing? Cuidar das pessoas, cuidar do centro histórico é uma obrigação de uma cidade tricentenária, não tem novidade nenhuma. Tirar as pessoas que estão deitadas no chão, botar em pé e botar pra caminhar é obrigação de um ente público. Não estou inventando nada. Centro Histórico é sinônimo de emprego, de renda, de riqueza para sociedade. Nas principais cidades do mundo, parte do que elas arrecadam vem do turismo, da cultura. Em Paris (França), quase metade do orçamento da cidade vem do turismo. Por que a gente não pode fazer de Cuiabá, uma história tão linda, que gere emprego e renda? 

 

PNBOnline – Como o senhor avalia a gestão Emanuel Pinheiro e o que faria diferente?

Fabrício Carvalho – A gestão do Emanuel peca muito na gestão da saúde. Ele optou pelo investimento no Hospital Municipal de Cuiabá e isto não está funcionando, sem capacitação dos servidores da área. A estrutura da rede básica de saúde tem que ser ampliada junto com a rede de esgoto. O transporte coletivo é uma lástima, assim como a recuperação do centro histórico. A Prefeitura tem que trabalhar na geração de empregos na área de prestação de serviços. Emanuel precisa explicar uma série de coisas sobre o combate à covid-19. A relação dele com a Câmara não é muito salutar para a cidade. Algumas questões podem ser melhoradas já que o Legislativo tem um papel de fiscalização fundamental do Executivo. Enfim, são críticas conceituais e vamos fazer diferente.

 

PNBOnline – O senhor acredita que o episódio do escândalo do paletó – o vídeo em que o Emanuel Pinheiro aparece colocando dinheiro no bolso do paletó no gabinete do então assessor do governador Silva Barbosa – terá peso na avaliação dos eleitores cuiabanos?

Reprodução

emanuel pinheiro paleto

 

Fabrício Carvalho – Vai pesar porque os cuiabanos ficaram muito chocados com as imagens. Mesmo que tenha sido quando ele era deputado estadual, não é porque não foi na prefeitura que não tem sentido. Tem sentido e foi uma ação ainda não explicada pelo prefeito, mas a sociedade não suporta mais ver o seu suposto dinheiro ser utilizado de uma maneira que não seja a republicana. O discurso da moral, da ética, da anticorrupção a gente conhece desde o Collor (ex-presidente Fernando Collor de Mello).

 

Temos que ter outras técnicas, não só verborragia e sim construir propostas e mostrar para as pessoas que servir ao público é um dom. Não posso ocupar um cargo e trabalhar a meu favor porque o servidor público tem papel importante e estratégico no desenvolvimento do país. Se não for assim, vira o caos que está aí. Conviver com estas imagens é muito ruim pra sociedade, para Cuiabá e prejudica a cidade. A minha ideia é construir propostas e avaliar experiências de outras prefeituras pelo país e pelo mundo e dizer o seguinte: eu não tenho imagens colocando dinheiro no meu bolso, vocês nunca verão imagens minhas assim. Olhem as minhas teses para Cuiabá e quem sabe isso vai trazer uma nova esperança e uma perspectiva de vida para todo mundo. 

 

PNBOnline – O vereador Felipe Wellaton (Cidadania) em entrevista ao site disse que a Prefeitura dificulta a fiscalização por parte do parlamento. Falta transparência nas ações. Como o senhor vê isto? 

Fabrício Carvalho – Isto é um equívoco da prefeitura de Cuiabá. O dinheiro é nosso. Se a Câmara de Vereadores que é o órgão fiscalizador tem dificuldades, tem alguma coisa errada na relação entre os dois poderes e é ruim para a sociedade. Tem que haver denúncia sobre a falta de informação aos órgãos de controle. Dá mais trabalho para o gestor ficar escondendo do que mostrar, a não ser que o que ele tem pra mostrar não seja bom. Na nossa gestão, os números serão claros, factíveis, públicos porque vamos juntos com diálogo com a sociedade, com os bairros e as organizações sociais definir onde investir os recursos do orçamento  e, por isso, abrir os números vai ser natural, não vai ter o que esconder. Tudo o que for de interesse da sociedade deve ser debatido, sem que o prefeito seja ‘blindado’ com o apoio da bancada de sustentação do governo na Casa, que é maioria e aprova tudo como ele quer. 

 

Quero construir uma relação republicana com a Câmara. Os partidos que porventura se associarem conosco na campanha virão por identidade de programa. O sistema é coletivo, quanto mais gente com ideias bacanas, melhor. Não quero um leque de partidos que me dê sustentação em troca de cargo. Isso é loucura, o mundo já viu que isto dá errado. O Congresso Nacional é a prova típica de que isto não dá certo. Se faz pactos, depois não governa ou se governa paga um preço muito alto. Não entrei na política partidária e nem nesse processo por vaidade. Entrei porque acho que pode ser diferente e se a sociedade entender, vamos estar juntos, senão, volto para a minha estrutura pessoal com tranquilidade, sem ter feito pacto com o demônio, sem ter vendido a minha alma. 

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O que está acontecendo entre Mauro (governador de Mato Grosso, Mauro Mendes) e Emanuel (prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro) é uma grande bobagem, é uma desinteligência, isso é de um personalismo que só faz mal para a cidade.

PNBOnline – Com está a articulação do PDT para coligação na campanha majoritária?

Fabrício Carvalho – O PDT está conversando com o campo progressista, temos uma conversa em nível nacional que vem para os municípios, como por exemplo, o PSB e o PV e o Rede Sustentabilidade, partidos com muita identificação com as com as coisas que a gente acredita. Mas isso não significa que não vamos conversar com os conservadores lúcidos que defendem um pouco mais o liberalismo econômico, dos sindicatos, do setor produtivo. Graças a Deus, a música, a cultura me deu isso, tenho a facilidade de conversar com todo mundo e ser bem aceito. Não ser tachado como de esquerda ou direita, as pessoas olham pra mim e nem perguntam do partido, eu é que falo do orgulho que tenho de caminhar com homens importantes como Ciro Gomes, que você pode até não gostar mas ele está preparado para discutir o Brasil. As conversas estão avançadas, com outros pré-candidatos também, mas não há nada definido. Não posso partir para uma conversa dizendo o seu único espaço é de vice na minha chapa. Tenho que ouvir o que meu interlocutor quer. 

 

Nosso programa tem sido bem aceito com o corpo técnico do partido cercado por pessoas das mais variadas matizes, desde quem trabalha em escolas, com a saúde até a segurança pública, para entender e ter um projeto factível para a cidade. A interlocução com os partidos é feita pelo deputado estadual Alan Kardec conversando com o deputado Max Russi (PSB), com o PV do ex-secretário de Serviços Públicos de Cuiabá José Roberto Stopa, com a Rede; tem um grupo formando a chapa de vereadores com a Fundação Leonel Brizola. E o programa de governo eu estou organizando. O PDT nacional anunciou na semana passada a coligação com o PV, PSB e a Rede para disputar a Prefeitura do Rio de Janeiro na próxima eleição com a deputada estadual Martha Rocha. Aqui também vai ficar muito nesta linha até porque o PT e o PC do B, com quem o partido sempre dialogou, vão ter candidatos.

 

PNBOnline – O senhor é favorável ao adiamento das eleições para novembro ou dezembro deste ano? Como deve ser? 

Fabrício Carvalho- Sou favorável ao adiamento porque a questão da saúde é prioritária e em outubro, provavelmente, outubro a gente ainda tenha resquícios da covid-19, segundo todos os prognósticos. Será uma eleição diferente de todas as outras porque o corpo a corpo não vai ter. Mas é fundamental que a eleição seja este ano. Somos contra postergar para 2022, unificando com a eleição estadual, isto é contra os preceitos democráticos. A gente vai ter eleição entre 15 de novembro e 20 de dezembro e posse em 1º de janeiro de 2021 dos eleitos. 

 

Unica News

Otaviano Pivetta

 

PNBOnline – Muito certamente, a eleição extra de senador será realizada junto com a eleição de prefeito. O PDT ainda conta como vice-governador Otaviano Pivetta como candidato ao Senado? E ele pode ajudar a sua campanha em Cuiabá. Quem vai ajudar mais o outro?

Fabrício Carvalho – Eu só o conheci o ano passado e é um homem admirável, não chegou onde chegou à toa. Temos conversado bastante e ele é um entusiasta da minha candidatura em Cuiabá porque viu a possibilidade de a gente fazer alguma coisa nova na área da educação, da acessibilidade como ele fez em Lucas do Rio Verde, onde foi prefeito e é um exemplo na educação básica para o Brasil. Minhas referências na área são Lucas do Rio Verde e Sobral, no Ceará, o maior Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do país, são cidades que eu tenho estudado muito.

 

Me aproximando do vice-governador, fazemos uma dobradinha boa porque ele representa um área que até então, não conhecia que é o setor produtivo. Cuiabá tem que ser a capital do Agronegócio, ela tem que se beneficiar do setor e ter uma troca positiva. A minha ideia é buscar uma associação com o agronegócio e facilitar a vinda de agroindústrias para a capital. Não faz sentido mandar toda a produção para São Paulo e Minas. Por que não ficar aqui e gerar empregos em Cuiabá? É uma estratégia que tem me estimulado e, certamente ele vai me ajudar muito mais do que eu a ele na campanha para o Senado. Talvez possa oxigenar a dele e ele pode trazer experiência pra minha campanha. Estou muito confortável em caminhar ao lado de Otaviano Pivetta na campanha.

 

PNBOnline – O senhor tem uma longa carreira na UFMT, inclusive como pró-reitor. Qual a avaliação que o senhor faz da gestão que está terminando, da Myrian Serra/Evandro Soares. Quais foram os principais problemas?

Fabrício Carvalho – Viemos de uma gestão de oito anos da reitora Maria Lúcia Cavalli Neder, muito importante pra universidade como de todos os reitores que passaram por ali. A partir dos anos 2000, as condições para as universidades públicas foram muito favoráveis porque havia o entendimento de que fazia parte do desenvolvimento do país. Eu tive a chance de ser pró-reitor de 2008 a 2016 e lá construí políticas de ampliação da universidade para todos, como a lei de cotas. A professora Myriam assume na saída da Dilma (presidente Dilma Rousseff) já com o Brasil em crise e na transição para Temer (Michel Temer) e para Bolsonaro (Jair Bolsonaro). Foi uma gestão marcada pela dificuldade de interlocução e veio eclodir com o Bolsonaro que é contra a universidade pública. É preciso lembrar que a professora Myriam teve um problema gravíssimo de saúde dois meses depois de assumir e isso é preciso ver com olhos humanos. Com o professor Evandro, as finanças estão mais equilibradas mas, veio a pandemia e suspendeu tudo e é muito difícil olhar e comparar com outras. Desde o professor Fred Müller, com quem trabalhei como bolsista, todos tiveram um papel fundamental no desenvolvimento da UFMT. 

 

PNBOnline –  Pela primeira vez a lista tríplice não será paritária, como o senhor avalia esta decisão?

(Foto: UFMT)

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Fabrício Carvalho – Claro que o ideal seria a consulta paritária (docentes, alunos e servidores), como a UFMT sempre mostrou como deveria ser para o país. Mas, o novo Colégio Eleitoral decidiu que vai instituir uma comissão que vai fazer a consulta à comunidade universitária e levar a definição para os órgãos colegiados. Isso é lei e a gente cumpre. Espero que seja feita da maneira mais democrática possível. Confio muito na condução do professor Luiz Alberto Scaloppe e nos levar para uma consulta pública que exale o perfume da democracia e que o presidente da República Jair Bolsonaro escolha um dos nomes da lista tríplice da comunidade acadêmica. 

 

 

 

 

 

 

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