O ex-jogador de futebol Juninho Pernambucano, atual diretor do Lyon (clube francês), se manifestou nas redes sociais nesta sexta-feira (10) para anunciar que irá financiar por três meses, ou mais se for necessário, o tratamento contra dependência química de um morador de rua da cidade de Sinop (478 km da capital).
Anderson Luis da Silva Zahn, de 25 anos, foi agredido com um tapa no rosto enquanto pedia alimentos na rua por Adonias Correia Santana, dono de uma madeireira em Tababorã (a 673 km de Cuiabá), conhecido como ‘Tiririca’, e de Hildebrando José Pais dos Santos, morador da cidade de Sinop, proprietário da empresa Pajé.
Juninho Pernambucano afirmou que já contratou um advogado para atuar no processo contra os agressores e que irá bancar o tratamento e que, depois de curado, Anderson receberá ajuda para conseguir um trabalho. (Confira abaixo o texto publicado pelo ex-jogador e veja o vídeo da agressão no final da matéria).
A vítima pedia dinheiro na Avenida das Sibipirunas portando um cartaz onde dizia: “Tô com fome você pode me ajudar?”. Ele é conhecido na região e dorme em um posto de combustível próximo ao local da agressão. Ele foi abordado pelos dois homens, que estavam em uma caminhonete, dizendo que queriam ajudá-lo.
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Quando ele se aproximou, recebeu uma ajuda de R$ 20,00 e, em seguida, lhe foi oferecido mais R$ 50,00, quando subitamente foi agredido com um tapa forte no rosto por Adonias. Além da agressão, foi xingado com palavras de baixo calão.
Todo ato foi filmado pelos próprios agressores e as imagens causaram grande indignação nas redes sociais.
Confira o texto de Juninho Pernambucano no Twitter:
Pra quem se sensibilizou com o vídeo, do rapaz que leva um tapa no rosto por pedir dinheiro, é o seguinte. Falei com Rogério Pereira, que é professor de processo penal e advogado, que foi até a casa dele. Ele se chama Anderson.
Anderson é dependente químico, antes de criticá-lo, saiba que na maioria das vezes, o caminho das drogas, é o único que é capaz, para muitos, de trazer algum prazer em estar vivo. Não incentivo ninguém a usar, mas não me acho no direito de dizer o que cada um deve fazer com seu corpo, pois a única coisa intocável que você tem, é sua vida, sua liberdade, mesmo que seja pra fazer mal a você mesmo. Sou contra a política violenta de combate às drogas, já provado que não traz resultados esperados.
Tenho mais opinião sobre esse assunto, mas não vou me alongar. E repito, não incentivo ninguém a usar. Tenho três filhas e uma neta e conversamos sobre tudo sem tabu. Não escondemos nossos sonhos e desejos humanos, como todos têm pois assim é mais fácil, entender que não poderemos, realizar todos eles.
Dito isso, com o Rogério Pereira, estamos enviando hoje, o Anderson, com seu consentimento, para uma clínica especializada em dependência química, onde ele ficará no mínimo três meses. A família do Anderson só falou coisas boas dele. E sabe que ele precisa de ajuda.
Não adianta darmos a ele as doações que muitos de nós, queríamos fazer, pois claro, ele não suportaria a tentação do uso. Se ele precisar ficar 1 ano, ficará, mas queremos ele recuperado e de volta à sociedade como exemplo pra outros.
Depois da cura, caso seja alcançada, o Anderson precisará antes de tudo (enchem a boca pra falar, tem que dar educação, não dê nada de dinheiro, ele só vai pedir depois etc..) isso é discurso elitista e egoísta, algo que vem antes da educação. Que é DIGNIDADE HUMANA. Ninguém será educado sem um mínimo de dignidade, assim o ajudaremos a trabalhar, se alimentar e seguir seu caminho.
Vai dar certo? Não sabemos. Mas é o único provável caminho que poderá recupera-lo e reintegra-lo à sociedade. Quanto a agressão sofrida, será muito, mas muito mais difícil, esquecê-la, que se liberar do vício depois da tortura (imensurável, inexplicável) a humilhação, é a pior agressão feita ao ser humano, ela agride muito mais que o tapa em si. Sobre isso, o Rogério Pereira se responsabilizará do processo. Agradecendo a todos a intenção de ajuda, seja ela por sentimento ou doações
























