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RACISMO E DEBOCHE

Abílio atira no próprio pé com polêmica racista

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O deputado federal Abílio Brunini (PL) assumiu a Câmara com um plano: causar para aparecer no Parlamento. Não buscou tratar de debater temas polêmicos ou apresentar projetos. A estratégia rasa foi fazer memes; criar vídeos de deboche da própria Câmara ou atacar os parlamentares da esquerda. Assim Abílio constrói uma imagem anti-sistema. Ele está no parlamento mas não é um deputado igual a todos os outros. A distinção pela via da depreciação, essa é a ideia bolsonarista.

Abílio racistaEnquanto estava fazendo suas postagens bobocas, infantis e desrespeitosas, tudo ia conforme o planejado. Abílio fazia rir seus seguidores e irritava o comando da CPMI do 8 de janeiro e os deputados da esquerda. Ganhava likes e espaço midiático. Bons para seus seguidores, porque na verdade Abílio se lixa para as críticas e se grande parte do eleitorado de Mato Grosso agora sente vergonha alheia de um representante do estado reduzido ao papel principal do seu circo digital.

Abílio sem medida e controle agora atirou no próprio pé. Ele se envolveu numa polêmica grave, o assunto passou do deboche raso para a performance de um racista engajado na ideologia da Supremacia Branca.

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O deputado federal de Mato Grosso foi acusado de fazer um suposto gesto de apologia à Supremacia Branca em reunião da CPMI do 8 de Janeiro. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito se reuniu para votar requerimentos e ouvir o depoimento do sargento da reserva Luís Marcos dos Reis, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. O gesto foi feito depois de o deputado Duarte Júnior (PSB-MA) pedir mais tempo de fala para compensar as interrupções que vinham sendo feitas por Abílio durante seu discurso.

Abílio racistaAbílio juntou na foto a suposta menção aos três minutos com o gesto símbolo usado por supremacistas brancos para exaltar o que chamam de “White Power” (“Poder Branco”, na tradução literal). Quando usado com essa conotação, os 3 dedos esticados simulam um “W”, de white, e o polegar junto com o indicador representa o “P”, de power. Em maio de 2021, em sessão no Senado, o então assessor para assuntos internacionais de Jair Bolsonaro, Filipe Martins, fez um gesto similar ao de Abílio, mas também negou se tratar de uma apologia ao supremacismo branco.

A estratégia de falar, fazer e depois negar na imprensa é uma marca da extrema direita bolsonarista. O mentor do movimento, o ex-presidente Jair Bolsonaro, usa e abusa desta forma de ação: lança uma mentira, e depois diz que não disse, faz um ataque e depois diz que não fez. E sempre no mesmo contexto da ação política. A) Nas suas redes sociais reafirmam as falas e gestos, acusam os adversários de perseguição, mantendo o tom do ódio radical ao adversário a ser aniquilado. B) A desculpa, a retratação, os desmentidos são feitos apenas, sempre apenas, na imprensa, nunca nos canais compartilhados com seus seguidores.

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A foto de Abílio é fato. É um registro do gesto racista ou “a narrativa da esquerda”. Abílio, que lidera as pesquisas da eleição de prefeito em Cuiabá, vai precisar explicar olhando nos olhos dos eleitores negros e pobres de Cuiabá que não considera que eles sejam inferiores, merecedores apenas do desprezo dos brancos poderosos. Seus aliados mais próximos, aqueles com bom senso e visão crítica, sofrem com este incontrolável impulso de Abílio de atirar no próprio pé. Desta vez foi chumbo grosso.

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