Eleição municipal, em óbvio, tem pautas municipais, questões que afetam de forma específica em cada cidade. Pautas nacionais têm pouca capacidade de dar tração e mobilizar eleitores. Mas nestas eleições de prefeitos, PT e PL apostam que a polarização entre Lula e Bolsonaro vai atravessar a disputa. E, em desdobramento, eleger o maior número de vereadores e prefeitos será uma exibição de força política e de utilidade, como fortes cabos eleitorais, para a eleição presidencial de 2026.
A disputa pela preferência entre Lula e Bolsonaro estará concentrada nas capitais brasileiras, praças de maior densidade eleitoral e visibilidade política. O triângulo Rio, São Paulo e Belo Horizonte, concentra as atenções de petistas e bolsonaristas, mas o jogo em outras capitais segue com articulações públicas e outras nos bastidores.
Publicamente, em Cuiabá, o senador Carlos Fávaro, líder do PSD em Mato Grosso e ministro da Agricultura de Lula, anunciou que irá apoiar, a pedido do presidente da República, o candidato do PT na capital nesta sucessão de Emanuel Pinheiro (MDB). Boa notícia para a Federação que não ficará isolada como um projeto de esquerda, agora contando com um apoio forte ao centro.
A equação a ser feita com esta aliança anunciada entre PSD e Federação começa pela definição de nomes para a disputa. O PT vai, enfim, ter um nome forte na eleição em Cuiabá ou seguirá com a apequenada pretensão de apenas oferecer um palanque para Lula? Disputar sem a ambição para ganhar será prejudicial a Lula. O presidente, afinal, precisa de prefeitos eleitos, e não apenas de candidatos esforçados para as campanhas.

Para o senador Carlos Fávaro, o jogo também passa por montar uma aliança na disputa com chance de vencer, e não apenas competir. Esse movimento de lealdade ao presidente Lula fortalece Fávaro no governo e fortalece para 2026. O objetivo é consolidar esta parceria, preferencialmente, com uma vitória de um prefeito do PT em Cuiabá. O maior trunfo político: ganha Lula, ganha Fávaro, derrotando Bolsonaro e derrotando Mauro Mendes.
Fávaro assumiu também a partir de agora, ele sabe disso, a liderança da oposição a Mendes e Bolsonaro nesta disputa em Cuiabá. Ele será o grande articulador de Lula em Cuiabá, visando uma candidatura forte, com a escolha de um nome com real viabilidade eleitoral. Escolher o melhor nome da Federação para prefeito e o melhor nome do PSD como vice será o desafio de Fávaro. As especulações nos bastidores de uma chapa invertida, um nome do PSD como prefeito e um nome da Federação como vice, podem resultar em um tiro no pé. Fórmulas inventadas quase sempre costumam resultar em fracasso. Afinal, o PT não pode desprezar o novo momento de chance real de vitória numa eleição em Cuiabá, o que não acontece desde 2012. O alerta está posto: a derrota é tudo o que Lula não precisa nesta disputa na Capital de Mato Grosso.






















