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ARTIGO

Aqui não cabe potoca

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Antigamente, lá na roça os homens, em sentido lato, tratavam seus negócios no “fio do bigode”, portanto, o que era combinado não saía caro, dado a reputação ilibada do cidadão ser característica das mais valiosas, pois palavra empenhada era palavra paga.

Hoje essa característica se perdeu no tempo fazendo com que tudo se minimize e relativize para no final das contas se der para fazer o negócio, ótimo, se não der, ótimo também.

Vejam, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2024 cuja principal finalidade é orientar a elaboração dos orçamentos da administração pública, foi sancionada por meio da Lei nº 14.791, de 29 de dezembro de 2023.

O artigo 2º, da LDO prevê meta de déficit fiscal zero para o ano de 2024, o que, em tese, impede o governo de gastar mais do que arrecada. De maneira simples o déficit fiscal está relacionado a dívida pública.

De plano, essa previsão é uma falácia porque como o Brasil paga altas taxas de juros em razão da dívida pública fica difícil da previsão se concretizar, portanto, é a mesma coisa que chover no molhado.

Grosso modo, para que o disposto no artigo 2º possa surtir efeito, ao menos a longo prazo, o razoável seria o governo aumentar o superávit primário, que é a diferença entre receita e despesa, ao longo dos próximos anos. É o famoso orçamento familiar!

Mas voltando ao “fio do bigode”. Temos por parte do atual presidente da república o descumprimento do que havia combinado quando ele sancionou a LDO, dada sua fala concedida aos meios de comunicação afirmando que poderá descumprir a meta de zerar o déficit fiscal no corrente ano.

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Ora bolas! Todo cidadão médio sabe das altas cifras que são desperdiçadas ano após ano em razão das mazelas cometidas por aqueles designados pelo povo para bem gerir o orçamento público.

Portanto, quem discutiu, decretou e sancionou a Lei, sabiam, com toda certeza, que a meta ali imposta não poderia ser cumprida. Agindo assim seguem na contramão dos homens de “antigamente”.

Em outra fala do atual presidente, ele disse ser lógico o fato de que se gasta quanto se arrecada. Se aumentar a arrecadação, tem mais dinheiro para gastar. Se diminuir a arrecadação, vai diminuir o que tem que pagar e investir.

Em um primeiro momento até parece ser lógico, entretanto, a história recente tem nos mostrado que mesmo com a diminuição da arrecadação os gastos não têm diminuído, com isso fica difícil de acreditar, inclusive na Lei, que haverá cumprimento de déficit fiscal zero.

A fala do mandatário reforça o escrito no início do texto, de que hoje a característica da “palavra empenhada é palavra paga” se perdeu no tempo, fazendo com que tudo seja relativizado para no final das contas ser como diz um amigo meu: tanto faz, como tanto fez.

Depois de tantos e sucessivos desmandos, por mais importante que seja, não vai ser uma Lei que de um ano para o outro zerará o rombo nas contas públicas e assim fica difícil acreditar no pelo do bigode, quiçá da barba.

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Rombo esse que não é de hoje, vem de outros carnavais. Exemplifico que um dos rombos verificado nesse ano é reflexo de desmandos do governo anterior.

Basta lembrar que durante o governo passado a Petrobrás teve cinco presidentes, sendo um interino. E todos que assumiram o posto não conseguiram (faltou fio do bigode) reduzir o valor dos combustíveis como ordenava o, à época, presidente da república.

Então para cumprir a promessa de baixar os preços, o governo empurrou goela abaixo dos Estados a redução do ICMS dos combustíveis com a promessa de que os compensariam no futuro (faltou fio do bigode). O futuro chegou. E o buraco também.

Os homens de hoje deveriam se espelhar nos homens dos tempos da roça para terem o feeling de que não resta dúvida da importância do orçamento público para a sociedade, pois é instrumento essencial para oferecer serviços públicos adequados, dentre eles o controle da dívida, desde que seja sancionado e cumprido sem carapetão.

Tamanha é a importância desse instrumento, que levou o professor José Matias-Pereira a proclamar que: o orçamento, depois da própria Constituição, apresenta-se como o ato mais importante da vida de uma nação.

Por fim, a palavra está franqueada para aqueles que tratam a coisa pública no “fio do bigode”.

Claiton Cavalcante é membro da Academia Mato-Grossense de Ciências Contábeis

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