
Dados preliminares do Ministério da Saúde apontam que o número de casos de hanseníase em Mato Grosso aumentou 73,4% em 2023 na comparação com o ano anterior. É o maior aumento dos cinco últimos anos e deixa o estado na liderança nacional de novos casos da doença. O segundo lugar no ranking foi ocupado pelo Maranhão, com pouco mais da metade dos casos do estado mato-grossense.
Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, a hanseníase é uma doença infecciosa, contagiosa e de evolução crônica que atinge principalmente a pele, os nervos periféricos e as mucosas. Os principais sintomas da doença são manchas (brancas, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas) e/ou áreas da pele com alteração da sensibilidade térmica (de frio e calor), dolorosa e/ou tátil. Além do comprometimento dos nervos periféricos, geralmente com engrossamento da pele, associado a alterações sensitivas e motoras.
De acordo com o levantamento obtido pelo PNB Online, Mato Grosso registrou em no ano passado 4.200 novos casos de hanseníase. Em 2022, houve 2.422 registros. Em 2021, 2020 e 2019 foram, respectivamente 2096, 2.519 e 4.424 novos casos. Os números levam em conta os registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), e do e-SUS.
Sozinho, Mato Grosso representou em 2023 mais de 20% dos novos casos da doença em todo o país, que apresentou 20.848 registros. Assim como em Mato Grosso, o Brasil como um todo tem mostrado tendência de alta da hanseníase desde 2019. Ao longo dos últimos cinco anos, foram 104.644 novos registros no país.
Tratamento pelo SUS
O SUS disponibiliza o tratamento e acompanhamento dos pacientes em unidades básicas de saúde e de referência, não sendo necessário internação. O tratamento é realizado com a associação de três antimicrobianos — rifampicina, dapsona e clofazimina — chamado de Poliquimioterapia Única (PQT-U). A associação diminui a resistência medicamentosa do bacilo, que ocorre com frequência quando se utiliza apenas um medicamento. Apesar do estigma, a hanseníase tem cura.
A duração do tratamento varia de acordo com a forma clínica da doença e, ainda no começo da administração medicamentosa, a bactéria deixa de ser transmitida. O paciente é acompanhado por um profissional de saúde em consultas, geralmente, mensais, quando também recebe uma nova cartela de PQT-U. Até dezembro de 2023, 6.096 pacientes encontravam-se em tratamento em Mato Grosso. Nacionalmente, 32.782.
























