
Nesta sexta-feira (31.05), completam-se 15 anos desde a escolha de Cuiabá como uma das sedes da Copa do Mundo FIFA de 2014. A decisão da Federação Internacional de Futebol Associado foi comunicada por Joseph Blatter, presidente da entidade à época, e acompanhada ao vivo, em clima de euforia, por milhares de pessoas em cinco telões espalhados pela cidade. De todas as obras previstas para a capital de Mato Grosso em razão do evento, apenas 33% foram entregues até o início da competição.
A escolha por Cuiabá desbancou outras duas capitais do Centro-Oeste que também pleiteavam sediar o evento: Goiânia e Campo Grande. Na Praça 8 de abril, em cima de um trio elétrico, que trazia uma faixa com os dizeres “Tchupa essa manga, Campo Grande! A Copa é nossa”, o governador Blairo Maggi e o prefeito Wilson Santos comemoravam o anúncio diante de quase 8 mil pessoas.
O Ministério do Esporte inicialmente previu que Cuiabá, entre todas as sedes, teria o maior legado da Copa de 2014. No entanto, a capital mato-grossense entregou apenas 19 das 56 obras planejadas até o evento. Atualmente, ainda há obras que estão em andamento sob a responsabilidade do Governo do Estado, incluindo a Estrada do Moinho, o novo Hospital Universitário Júlio Müller, o Centro Oficial de Treinamentos (COT) da Barra do Pari e a implantação do Sistema BRT, que substitui o projeto original do VLT.
Obras em andamento
A duplicação da Avenida Archimedes Pereira Lima, também conhecida como Estrada do Moinho, estava paralisada desde 2014 e apresentou diversos problemas logo que foi liberada para o trânsito. Após não conseguir um acordo com a empresa responsável pela obra, o contrato foi rescindido e uma nova licitação foi lançada. A Avenida está sendo reconstruída em uma extensão de 5 quilômetros, entre a rotatória do Boa Esperança e o Complexo Viário do Tijucal. No momento, 90% das obras foram executadas.
As obras do novo hospital começaram em 2012, mas o contrato foi rescindido em 2014 devido ao não cumprimento do cronograma. À época, apenas 9% do total previsto estava executado. A nova licitação foi realizada em maio de 2020, e, após a elaboração dos projetos executivos, as obras começaram em novembro de 2021, com previsão de três anos de execução. Atualmente, 61% da obra já foi construída. A previsão é que seja entregue ainda este ano.
As obras no COT, abandonadas desde 2014, foram reavaliadas pela Secretaria do Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra- MT) em 2019, que buscou um acordo com o consórcio original, homologado pela Justiça em 2022, para garantir a continuidade. Após a conclusão, o COT será integrado à Academia das Forças de Segurança, com uma nova licitação para atender às necessidades da Sesp, mantendo o campo de futebol e a pista de atletismo. A previsão atual é que seja entregue no início do próximo ano.
As obras do Veículo Leve Sobre Trilhos foram abandonadas em 2014, com apenas 18% dos trilhos implantados. Após a realização de estudos, o Governo decidiu retomar o projeto original do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), levando em consideração que esse modal teria um custo menor, seria uma obra mais rápida e também proporcionaria uma tarifa mais barata para a população. A obra foi licitada em 2022. Há duas frentes de serviço abertas, uma na Avenida da FEB e outra na Avenida do CPA. A previsão divulgada pelo Governo é de entregar a obra em fevereiro do próximo ano.
Copa do Mundo feminina em 2027
Em maio deste ano, Cuiabá foi confirmada como sede da Copa do Mundo Feminina, que acontece no Brasil em 2027. A expectativa é que a capital receba quatro jogos da competição, na fase de grupos. O Governo e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) já descartaram a possibilidade de criação de uma Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo, como aconteceu em 2010. Para o presidente da ALMT, deputado Eduardo Botelho (União), essa é uma fazer diferente e não cometer os mesmo erros do passado.
“Infelizmente, os projetos de 2014 vocês viram o que deu, só vergonha. Muitos não terminaram até hoje, como é o caso do VLT/BRT, que está em andamento e várias trincheiras que foram mal construídas, outras que não foram executadas, então nós temos agora a oportunidade de fazermos diferente. Acho que é o momento para nós recuperarmos o que nós ficamos de fazer em 2014, para nós tirarmos aquela imagem ruim, péssima que ficou de Mato Grosso”, disse à imprensa.
O governador Mauro Mendes (União) também negou a intenção de realizar grandes obras para o evento. “É importante que nós façamos bonito e não possamos cometer os mesmos erros do passado, que não tenhamos megalomania de achar que essas são oportunidades para mudar a história e fazer disso um grande fracasso histórico como foi as chamadas obras da copa, as sobras da copa
que deixou grandes sequelas e grandes prejuízos para o Brasil e pra nós mato-grossenses que fomos uma da subsede”, afirmou.

























