O grupo de maracatu Buriti Nagô divulgou uma nota pública de repúdio sobre uma série de ataques e denúncias que alegam poluição sonora e transtorno, culpabilizando a Casa das Pretas, e buscando constranger os membros do grupo a proibir suas atividades na Praça da Mandioca, em Cuiabá.
O grupo afirma que desde junho de 2023 vem sofrendo constrangimento e ameaças quando são realizadas atividades de impacto social e de celebração da cultura e afirmação da diversidade.
Às terças à noite e aos sábados à tarde, o Buriti Nagô faz ensaios e oficinas de maracatu no local, o que teria incomodado algumas pessoas. “Nesse processo, infelizmente, temos incomodado sujeitos que buscam se apropriar do espaço público para fins privados e que não toleram manifestações culturais de afirmação das tradições populares de origens africanas”, diz a nota.
Ainda segundo o grupo, reiteradas denúncias à Secretaria Municipal de Ordem Pública da Prefeitura de Cuiabá têm se tornado um instrumento de intimidação. “A acusação de 2023, arquivada em março de 2024 por falta de sustentação, voltou a ser retomada no último sábado, dia 15 de junho de 2024, momento de realização de nossa oficina, no período vespertino. Nos causa estranheza a insistência em paralisar uma manifestação cultural específica, enquanto desconsideram as diversas violações legais que ocorrem na cidade, inclusive no entorno da Praça da Mandioca, seja no uso do espaço público por parte de empreendimentos privados, seja pela consequência de outros tantos descasos diante das condições estruturais do bairro e da ausência de políticas públicas efetivas para sua histórica vitalidade cultural”.
O grupo de maracatu Buriti Nagô reforça que é uma manifestação popular que recebe o apoio da Casa das Pretas para realização de seus ensaios, na Praça da Mandioca, assim como para o armazenamento dos instrumentos percussivos. “A Casa das Pretas é o primeiro centro de ações culturais e comunitárias do Movimento Negro em Mato Grosso. Fundada pelo Instituto de Mulheres Negras do Mato Grosso (IMUNE), reúne diversas linguagens e variadas produções, articulando iniciativas culturais, ações educativas sobre raça, gênero, equidade, pautas LGBTQI+ e formação política para participação cidadã na defesa dos direitos humanos”.
Em protesto contra as denúncias que vem sofrendo, o Buriti Nagô vai realizar um ensaio aberto e um ato público nesta terça-feira (18.06) na Praça da Mandioca, às 19h.
“A praça é do povo e é lá que a cultura do povo deve permanecer. Ninguém silenciará nossos tambores, nem calará a memória de resistência que sobrevive em cantos”, conclui o grupo, na nota.

























