Decididamente, o governador Mauro Mendes (União) assumiu um papel que não lhe cai bem junto à sociedade de Mato Grosso: a do governante movido a ódio que gera falta de diálogo e, numa escala aparentemente desimportante, gera falta de elegância em respeito aos outros, mesmo que sejam adversários políticos. Na falta de diálogo e falta de respeito, quem paga a conta da briga política é sempre a população prejudicada.

Segundo o relato do jornalista Vinicius Mendes, do site Gazeta Digital, o governador Mauro Mendes deu uma banana explícita para a presença de ministros do governo federal na cidade de Cáceres: não compareceu e nem mandou representante. Simplesmente ignorou o evento relacionado ao desenvolvimento de Cáceres e região. Um desrespeito, na verdade, à população de Cáceres e dos demais municípios próximos interessados nesta pauta de desenvolvimento econômico.
Seria por causa da presença do ministro da Agricultura, o senador Carlos Fávaro (PSD)? A população de Mato Grosso sabe que Fávaro, além do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) e do deputado federal Abílio Brunini (PL), está no radar do “odiômetro” de Mendes. Os desafetos políticos são tratados com toda a virulência possível e, no caso do evento de Cáceres, com gestos de deselegância e desprezo que acabam afetando diretamente a população.
O relato do jornalista Vinicius Mendes:
Durante evento do governo federal realizado nesta sexta-feira (21), em Cáceres (225 km a Oeste), o ministro Carlos Fávaro se queixou da perda da capacidade de diálogo da sociedade brasileira por causa da polarização política. Na ocasião, o deputado estadual Wilson Santos (PSD) criticou a ausência de representantes do governo do Estado na cerimônia e se desculpou por isso com as outras autoridades presentes.
O evento que tratou sobre as Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) do projeto Rotas da Integração Sul-americana – Quadrante Rondon contou com a presença da ministra do Planejamento e Orçamento do Brasil, Simone Tebet, do ministro do Desenvolvimento Regional do Brasil, Waldez Góes, entre outras autoridades, porém, nenhuma delas era membro do governo do Estado. Wilson Santos culpou a polarização por esta postura.
“Quero começar pedindo desculpas aqui, aos três ministros, pela ausência do governo estadual neste evento. Isso é inadmissível. O Brasil precisa desinflamar, já passou da hora. Essa inflamação, essa polarização, quem perde é a sociedade. Nós estamos tratando de um tema aqui republicano, de uma nação. […] Não levem isso em consideração, há muita inflamação, há muita radicalização no país e quem perde é a sociedade”, disse.
Já o ministro Carlos Fávaro pontuou que este é um comportamento observado em várias partes do mundo. Ele agradeceu a presença dos ministros e destacou como foram bem recebidos em Mato Grosso.
“A sociedade mato-grossense, a sociedade brasileira, como em outros países do mundo, parece que perdeu a capacidade de diálogo, de ouvir o contraponto, de respeitar quem pensa diferente, de discordar, mas discordar com respeito […]. Há um ano e meio, […] a gente era desconvidado para estar presente, só porque não concordavam com o nosso posicionamento político. E hoje, essa casa cheia, e muitos daqui podem não concordar com o nosso posicionamento político, mas estão aqui de coração aberto, para poder ouvir, dialogar, propor um Brasil melhor”, pontuou Fávaro.
Em outras ocasiões, já após as eleições de 2022, quando ambos defenderam lados opostos, o governador Mauro Mendes compareceu a eventos com o ministro. No entanto, em entrevista recente ao programa Roda Viva, o governador disse que Fávaro não tem um problema com ele, mas sim “com o agronegócio brasileiro” e destacou que os dois têm “um distanciamento político”. O ministro garantiu que não irá se abalar com este tipo de situação e lembrou que o presidente Lula, desde o início de seu governo, já dizia que a polarização iria acabar através do trabalho prestado.
Em tempo: Mauro Mendes precisa dizer qual agronegócio brasileiro o ministro Carlos Fávaro tem problemas. O segmento que cultiva o radicalismo ideológico, ligado aos parlamentares bolsonaristas, ou ao agronegócio da produção, representado, por exemplo, pelo amigo de ambos, o ex-ministro, governador e senador Blairo Maggi e outros empresários que condenam a contaminação do setor pela erva daninha do extremismo?























