
Levantamento inédito dos Cartórios de Registro Civil aponta que mais de 1,4 mil crianças e adolescentes de até 17 anos ficam órfãos de pelo menos um dos pais anualmente em Mato Grosso. Em 2021, a covid-19 foi responsável por 512 dessas perdas, cerca de um terço dos casos registrados no estado naquele ano.
Os dados, compilados pela Associação dos Notários e Registradores de Mato Grosso (Anoreg-MT), abrangem o período entre 2021 e 2024 e foram consolidados a partir do cruzamento dos CPFs dos pais nos registros de óbitos com os registros de nascimento de seus filhos. A inclusão do CPF nesses documentos, obrigatória desde 2019, tornou possível realizar análises mais precisas.
“Com a evolução da legislação e o uso do CPF como identificador único, conseguimos cruzar dados das bases de registros de óbitos e nascimentos, chegando a números concretos”, explica Luís Carlos Vendramin Júnior, diretor da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) e presidente do Operador Nacional do Registro Civil (ON-RCPN).
O levantamento apontou que, além dos 1.583 órfãos de 2021, foram registrados 1.257 casos em 2022 e 1.542 em 2023. Até outubro de 2024, o número chegou a 1.335, indicando que o total pode superar o recorde do ano passado.
Os casos de crianças que perderam ambos os pais, embora menos numerosos, também chamam a atenção. Em 2021, foram 33; em 2022, 31; em 2023, 35; e, até outubro de 2024, 19.A pandemia de Covid-19 teve um papel significativo no aumento da orfandade. Desde 2019, a doença foi responsável pela perda de pelo menos um dos pais de 679 crianças no estado. Quando consideradas doenças relacionadas, como síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e insuficiência respiratória, esse número sobe para 967.
Entre 2019 e 2024, ao menos seis crianças perderam ambos os pais em decorrência direta da Covid-19. Esse número pode chegar a 13 quando incluídas doenças associadas à pandemia.
Além disso, o estudo revelou o impacto do coronavírus no aumento de mortes por outras condições, como infarto, AVC, sepse e pneumonia, que contribuíram para o crescimento do número de órfãos.
Segundo Gustavo Renato Fiscarelli, presidente da Arpen-Brasil, os dados são essenciais para a formulação de políticas públicas. “São informações vitais para que governos possam se planejar e atender a essa demanda crescente”, afirma.
























