No Brasil a segurança pública foi reduzida à política eleitoral. A lógica de apelo fácil ao voto é de que a segurança pública que funciona é aquela feita à bala, matando bandidos, cancelando CPF. A truculência e a matança liberada ganham voto e tem apelo junto à sociedade que acredita que o Poder Judiciário protege bandidos e que o Congresso é conivente e complacente com a criminalidade.
A ideologia da matança liberada é usada como uma forma de confronto da extrema direita contra a esquerda. O argumento extremista de que o respeito aos direitos humanos é, na verdade, uma forma de liberar geral a bandidagem. Na prática, a solução final da matança policial é, para os governantes, um risco político quando a polícia mata um inocente, quando a truculência e as mortes são registradas e mostradas na internet.
Uma das condições para essa ideologia da impunidade ser prática corrente é descartar o uso de câmeras corporais pelos policiais militares. Sem câmera na farda, o PM está pronto para agir sem ser cobrado posteriormente pelos seus atos. Nas ruas ele pode tudo, conforme essa ideologia da impunidade. A sociedade fica então dependente de que as câmeras civis estejam nos lugares certos, nos momentos certos para flagrar atos de truculência e crimes de matança.
A jornalista Julia Munhoz, do PNB Online, destacou nesta quinta-feira (05.12) que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) assumiu que errou no passado ao ser contrário às câmeras corporais, que gravam a abordagem da Polícia Militar. Ele admitiu falhas na corporação e anunciou medidas para ampliar o treinamento dos agentes, após recentes episódios de violência policial em São Paulo.
“Estou absolutamente convencido que é um instrumento de proteção da sociedade e do policial”, disse o governador de SP, em evento, na zona leste da capital, nesta quinta-feira (05.12).

O governador prometeu reformular e ampliar o treinamento dos agentes para enfatizar que casos de brutalidade não serão tolerados. Tarcísio disse ainda, entretanto, que não fará nenhuma mudança no comando da secretaria de segurança pública ou da Polícia Militar do estado. Não basta o governador ser, agora, a favor das câmeras corporais se o comando da sua polícia continuar tratando a questão como política ideológica.
As câmeras corporais são sim prioridade da sociedade e devem ser prioridade para os governos. A polícia não pode ser uma parte autônoma da sociedade, decidindo como vai agir, abrindo espaço para atuar ao arrepio da lei. Em Mato Grosso, o assunto foi descartado como se fosse algo acessório, não é, é prioridade sim. É prioridade que a sociedade tenha uma polícia competente que use a força dentro da lei, que proteja os bons policiais que fazem seu trabalho dentro da lei, e que projeta o cidadão contribuinte que paga os salários.






















