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PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

Mais de 30% da chuva em MT vem de Terras Indígenas da Amazônia

Nota técnica aponta que a reciclagem de água realizada pelas florestas em TIs é fundamental para segurança hídrica e alimentar do país.

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Mais de 30% da chuva em MT vem de Terras Indígenas da Amazônia (Foto: Reprodução / Instituto Serrapilheira)

Terras Indígenas (TIs) da Amazônia, que abrigam 27,5% das florestas maduras do bioma, são responsáveis por até 33% da precipitação anual em Mato Grosso, segundo uma nota técnica elaborada pelo Instituto Serrapilheira. O estudo, que contou com a colaboração de dez cientistas, rastreou a origem da umidade atmosférica responsável pelas chuvas em diversas regiões do Brasil.

A nota técnica aponta que a reciclagem de água realizada pelas florestas em TIs é fundamental para segurança hídrica e alimentar, bem como na economia nacional. Os cientistas explicam que a Amazônia atua como um grande sistema de irrigação natural, conhecido como “berço dos rios voadores”, que transporta umidade do Oceano Atlântico para o interior do continente. 

Assim que entra na região, a água chove, infiltra-se no solo e é devolvida à atmosfera pelas árvores em um processo chamado reciclagem de umidade. Essa dinâmica é muito importante para estados como Mato Grosso, que depende diretamente dessa chuva para sustentar sua produção agropecuária.Conforme o estudo, a contribuição dessa chuva alimentada pelas florestas em TIs chega a ⅓ dos totais anuais em regiões que também têm grandes históricos de destruição ambiental.

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“Estados como Rondônia e Mato Grosso figuram entre os nove estados mais influenciados por essa chuva, ao mesmo tempo que estão entre os estados que mais desmatam florestas desde 1985 (34 e 32% de perda, respectivamente, de acordo com o MapBiomas), uma clara contradição que destaca a urgência da conservação de florestas, em especial em TIs, para a manutenção de seus serviços ambientais”, traz o estudo.  

A preservação das TIs também tem impacto direto na economia. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o agronegócio representará 21,8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2024, mas opera com um déficit hídrico médio de 37%. O cenário já compromete a produção em áreas de agricultura de sequeiro (sem irrigação) e intensifica os desafios da agricultura irrigada.

“O setor agropecuário consome cerca de 931 litros de água da chuva por real gerado de renda”, destaca a nota técnica, que alerta para a queda acumulada de 9,1% no volume de precipitações entre 2018 e 2020. A influência direta da reciclagem de água em TIs atinge aproximadamente 80% da área de atividade agropecuária no Brasil.

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“Os resultados reforçam que o abastecimento de água do país é significativamente influenciado pela conservação das florestas da Amazônia”, diz o documento. “Sem ações para frear o desmatamento e fortalecer as TIs, o Brasil pode enfrentar uma grave crise hídrica e socioeconômica”. 

A nota técnica foi assinada pelos cientistas Caio Mattos, Paulo N. Bernardino, Bruna Stein, Gabriela Prestes Carneiro, Julia Tavares, Adriane Esquivel-Muelbert, Silvio Barreto, André Braga Junqueira, Arie Staal e Marina Hirota.

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