A expressão “inundar a área de merda” é do guru da extrema direita norte-americana, que serve de guia também para o bolsonarismo: o ex-conselheiro do presidente Donald Trump, Steve Bannon. Ele descreve a abordagem do que chama inundar a área de merda: significa inundar deliberadamente o público, a mídia e os adversários políticos com ações, declarações e escândalos. Ocupar o espaço midiático, causar, viralizar, pautar a discussão política com temas aleatórios, acessórios, enquanto executam o projeto de viés totalitário de controle total dos poderes, incluindo o Poder Judiciário.
Trump tem seguido à risca, jogando muita merda no ventilador digital. São assinaturas televisionadas de ordens executivas, cada uma mais polêmica do que a outra, e anúncios a bordo do Força Aérea Um. Em seu retorno ao poder, o republicano líder da extrema direita está levando o conceito de política como espetáculo mais longe do que nunca. Os acadêmicos falam em “revolução reacionária”, ou seja, uma reestruturação nos fundamentos do Estado com o objetivo de enfraquecer os mecanismos de controle democrático e estabelecer estruturas autoritárias. Por exemplo, dominar todas as cortes de Justiça e aparelhar a polícia federal americana, o FBI, para atender aos seus interesses pessoais e ideológicos.
Guardadas as devidas diferenças, e do alcance do poder, em Cuiabá o prefeito bolsonarista Abílio Brunini (PL), segue à risca a cartilha de Steve Bannon. Os primeiros dias do seu mandato foram usados para causar, ocupando a pauta de sites; diabolizar o seu antecessor e lançar ações de moral conservadora. Uma intensa produção diária de factoides.
Alguns factoides lançados por Abilio, que seguem a linha da inundação de merda preconizada por Bannon, caíram no Buraco da Memória.
Factoide no estilo capítulo de novela
Abílio antecipa novo escândalo em obra do Aquário Municipal: “vai vir uma bomba por aí”. Lançado em 10 de janeiro, mais de um mês depois não se viu ainda a materialização da merda anunciada.
Factoide do bordel dos ricos de Cuiabá
No dia 21 de janeiro, o prefeito Abilio anunciou que poderia fechar a boate Crystal Night Club, endereço elegante do mercado da prostituição que atende aos clientes endinheirados da Capital. Ele disse que mandaria investigar a situação da casa noturna para tomar providências, mas o assunto caiu no Buraco da Memória. O eleitorado conservador religioso quer saber se a ação do prefeito é para valer e vale para todos, não apenas para os pequenos bordéis dos pobres que foram fechados por ordem de Abílio.
Vale lembrar. A declaração de Brunini de ameaçar fechar a Crystal ocorreu logo depois da Secretaria Municipal de Ordem Pública (SORP), realizar a “Operação Retomada” no bairro Porto. Durante a ação, quatro bares foram fechados por irregularidades no alvará de funcionamento e suspeitas de servirem como pontos de prostituição.





















