
Montanhas de rejeitos de mineração, desmatamento e erosões já fazem parte da paisagem da Área de Proteção Ambiental (APA) e do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, um dos principais cartões-postais de Mato Grosso. Como mostra a reportagem do jornalista Ulisses Lalio, publicada em A Gazeta, os pedidos de autorização para garimpos na região cresceram 76% durante o governo Mauro Mendes (União).
Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), dez empreendimentos já operam na APA, dois deles pertencem à Mineradora Casa de Pedra, da família Mendes. Além disso, há 40 pedidos em tramitação e outros 20 processos de reconhecimento geológico com o mesmo objetivo. Conforme mostrou o PNB Online no último ano, a área alvo de mineração em Chapada dos Guimarães é maior que município de Várzea Grande.
Criada por decreto em 1995 e oficializada por lei em 2002, a APA de Chapada foi instituída para proteger nascentes e a vegetação nativa. Ainda assim, a mineradora da família do governador foi condenada pela Justiça em julho deste ano a apresentar um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) e adequar seu sistema operacional em até 180 dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. A decisão atendeu a uma ação civil pública do Ministério Público Estadual (MPE), que aponta atividades ilegais da empresa em área de proteção ambiental.
O juiz Rodrigo Curvo, da Vara do Meio Ambiente, reconheceu que os atuais sócios não participaram diretamente do dano ambiental, mas também não agiram para corrigi-lo. Após a sentença, o MP-MT firmou um acordo com a mineradora e pediu o arquivamento do processo, que foi reaberto em 9 de outubro após questionamentos sobre o teor do acordo. Uma vistoria da Secretaria de Meio Ambiente está pendente para que o MP avalie o cumprimento das exigências.
Paralelamente, o governo do Estado deu início à construção da MT-030, que passará a apenas 4 km da mineradora da família Mendes. O trecho inicial, de 4,6 km, ligará o fim do perímetro urbano de Cuiabá à Ponte de Ferro, e está orçado em R$ 8,2 milhões, com previsão de entrega para fevereiro de 2025.
Ambientalistas alertam que o traçado previsto pode afetar sítios arqueológicos, comunidades tradicionais e áreas sagradas do povo indígena Bororo. “Esse traçado é insano. Vai impactar locais históricos, cachoeiras e comunidades tradicionais”, disse o fotógrafo e morador de Chapada dos Guimarães há mais de 40 anos, Mario Friedlander, à Gazeta. Confira a reportagem na íntegra neste link.

























