Pesquisar
Close this search box.
ENTREVISTA

“Não teremos outro Francisco tão cedo”, diz pesquisadora

Publicidade

Foto: Robson Siqueira/Canção Nova

A morte do Papa Francisco, o primeiro pontífice latino-americano e um dos mais progressistas da história da Igreja Católica, reacendeu debates sobre o futuro da instituição.

Francisco morreu aos 88 anos, nesta segunda-feira (21). A morte do papa foi anunciada pelo cardeal Kevin Farrell, camerlengo do Vaticano.

A reportagem do PNB Online conversou com pesquisadores da área da comunicação que tem como um de seus objetos de estudos a forma como o discurso político conservador avança dentro das igrejas no Brasil.

A importância de Francisco

Para estes estudiosos, Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, foi um ponto fora da curva dentro da Igreja Católica, uma instituição marcada pelo conservadorismo e pela represessão a grupos políticos que defendem mais diversidade.

“Ele desafiou muitas questões históricas, seguindo ideias da Teologia da Libertação – um movimento que prioriza os pobres. Simplificou vestimentas, criticou hipocrisias e permitiu bênçãos a casais LGBTs, algo transgressor para a Igreja”, declarou Manuela Mayrink mestre e doutoranda em comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que estuda grupos de extrema-direita dentro do catolicismo.

Para Andréa Chagas, doutora em Estudos de Cultura Contemporânea pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Francisco ajudou a frear o ímpeto conservador global que foi liderado por Donald Trump nos últimos anos.

“Se tivéssemos um papa que chancelasse falas violentas e reacionárias [como as de Trump], seria um cenário muito ruim. Ele ajudou a frear um pouco esse ímpeto conservador global.”, declarou. “Foi a voz mais importante da igreja católica, mas estes movimentos estão ganhando as redes sociais, estão se mobilizando, é um xadrez político que sempre existiu, vamos ver qual vai ser a próxima jogada agora, quem vai subir ao poder”, concluiu.

Leia Também:  Câncer de boca e câncer de ovário expõem desafios do diagnóstico tardio

O substituto de Francisco

Ambas concordam: Francisco foi um “ponto fora da curva”, mas sua agenda enfrentou oposição ferrenha de setores ultraconservadores, como os sedevacantistas – que rejeitam papas desde o Concílio Vaticano II – e figuras como o padre Paulo Ricardo, aliado de Bolsonaro. Além do padre, o influenciador Bernardo Küster também foi um nome contrário às ideias de Francisco.

“Não teremos outro Francisco tão cedo. A tendência é um retorno ao conservadorismo, mas talvez não tão radical quanto Bento XVI. Será um jogo político – como no filme O Conclave”, comentou.

Francisco tentou influenciar a sucessão ao nomear cardeais alinhados a seu pensamento, mas, segundo Mayrink, quatro temas permanecerão intocáveis: o aborto, a ordenação de mulheres, o casamento de padres e os direitos LGBT.

Ela reflete que, apesar de declarações que avançaram nesse sentido, Francisco não conseguiu mudar a igreja em relação a este tema e, por conta disso, a tendência é que a igreja escolha alguém mais conservador ou moderado, uma espécie de “centrão” dentro do catolicismo.

“A minha sensação é de que vai ter uma guinada conservadora bem forte. Como a gente vê politicamente. A guinada do progressismo politicamente ou na igreja quebra muitas coisas que já tão entendidas como consolidadas e fragiliza algumas instituições muito consolidadas”, declarou a pesquisadora.

O avanço conservador na igreja católica

Para Andréa Chagas, movimentos que conservadores que sempre existiram dentro da igreja católica utilizam uma linguagem “cívico-religiosa”, em que elementos de fé são apropriados para sacralizar pautas políticas. Na visão de Andréa, estes movimentos tendem a avançar com a morte de Francisco.

Leia Também:  Frente fria reduz temperaturas em Cuiabá no Dia das Mães

Desta forma, o ‘cidadão de bem’ vira um soldado contra o ‘inimigo religioso’ – que é a esquerda, associada ao mal. Mesmo sem mencionar, líderes religiosos do segmento político de extrema direita permitem que fiéis associam a esquerda ao mal, ao diabo e a pautas da vida cotidiana que são condenadas pela igreja, como casamento LGBT e aborto.

“No 8 de janeiro, viram-se bíblias erguidas no Congresso, enquanto destruíam obras de arte. Era uma tomada de território para Deus em um contexto partidário.”, conta Andréa. “Bolsonaro sempre usou essa linguagem: dizia que sobreviveu à facada por um milagre e que só Deus o tiraria do poder.”

Mayrink lembra que antes de ser papa, Bento XVI foi um dos representantes da igreja que perseguiu – sob as ordens de João Paulo II – o brasileiro Leonardo Boff, defensor da Teologia da Libertação.

Para a pesquisadora, há um claro caminho mais conservador na igreja que tem, por exemplo, a figura de Donald Trump representada pelo seu vice-presidente, J.D. Vance, um católico recém-convertido.

Vance foi a última pessoa na agenda de Francisco em um encontro que ocorreu de forma privada no domingo (20/04).

“Tem uma uma uma questão política também dos Estados Unidos tentando se meter ali nessa jogada política. Eu acho que a gente vai para o conservadorismo maior, diferente, e por isso não vai ter alguém como Papa Francisco tão cedo, mas não me sinto à vontade de te dizer se a gente vai para um grande centrão ou se a gente vai ser extremamente conservador”, declarou Manuela.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

Publicidade

Publicidade

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com o Deputado Estadual Wilson Santos

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com Valdinei Mauro de Souza