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ARTIGO

A caixa de ferramentas do AA ajuda quem quer ficar sóbrio

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No programa de Alcoólicos Anônimos, a expressão “Caixa de Ferramentas” é uma metáfora rica e profundamente pedagógica. Ela representa o conjunto de princípios, práticas e atitudes espirituais que auxiliam o alcoólico em recuperação a manter-se sóbrio, um dia de cada vez. Assim como um profissional não realiza seu trabalho sem instrumentos adequados, o membro de A.A. também necessita de recursos práticos para lidar com suas dificuldades emocionais e espirituais.

No sentido figurado, essa “caixa” não é física, mas interior. Ela contém ferramentas como a oração, a meditação, a leitura da literatura, a prática dos Passos, a frequência às reuniões, o serviço em A. A. e o apadrinhamento. Cada instrumento tem sua finalidade específica, e todos estão disponíveis para quem deseja utilizá-los com honestidade e disposição. O apadrinhamento, por exemplo, ajuda o afilhado a ter apoio do padrinho para manter sintonia com o programa, com foco na decisão de ficar sóbrio.

Qualquer pessoa pode usar essa caixa de ferramentas? Em princípio, sim — mas apenas quem admite sua impotência diante do álcool e decide buscar ajuda conseguirá utilizá-la de forma eficaz. Em primeiro lugar é necessário que o interessado em ajuda para parar de beber conheça o caminho que deve seguir. As ferramentas estão acessíveis a todos os que chegam à Irmandade, porém seu uso exige ação, disciplina e humildade e honestidade. Não basta conhecê-las, é preciso aplicá-las no cotidiano.

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Para ficar sóbrio, algumas ferramentas tornam-se essenciais. Participar regularmente das reuniões fortalece o sentimento de pertencimento. Trabalhar os Doze Passos promove autoconhecimento e transformação interior. Buscar um padrinho oferece apoio e empatia nas horas difíceis. A prática da oração e da meditação acalma a mente e reduz a impulsividade. O serviço ao próximo combate o egoísmo, considerado uma das raízes do alcoolismo.

Entretanto, nem toda situação exige a mesma ferramenta. Quando a ansiedade está elevada, a meditação pode ser mais adequada. Diante de um conflito interpessoal, aplicar os princípios do inventário e da reparação pode ser o melhor caminho. Em momentos de solidão ou tentação, telefonar para outro membro pode ser decisivo. A sabedoria está em discernir qual instrumento usar em cada circunstância; e praticar a recomendação com a máxima boa vontade possível.

Valer-se da ferramenta correta no momento certo evita recaídas e fortalece a serenidade. Ignorar os recursos disponíveis pode levar ao isolamento e ao enfraquecimento espiritual. Por isso, a experiência coletiva ensina que não basta admirar a caixa de ferramentas — é preciso abri-la diariamente. É necessário conhecer as ferramentas disponíveis e utilizá-las sem demora; as ferramentas são o meio mais fácil de qualquer alcoólico sintonizar-se com o programa de recuperação e sair de uma crise emocional.

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Em A.A., a sobriedade não é fruto do acaso, mas da prática constante dessas ferramentas espirituais. Elas não eliminam os problemas da vida, mas oferecem meios saudáveis para enfrentá-los. Assim, o alcoólico aprende que sua recuperação depende menos da força de vontade isolada e mais do uso consciente e contínuo das ferramentas que a Irmandade coloca à sua disposição.

*Camilo Valenzuela é nome fictício em respeito à tradição do anonimato

 

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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