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MARLUCE SOUZA

A dois meses da posse, reitora eleita promete focar em reorganização da UFMT

Em entrevista ao PNB Online, professora detalha o processo de transição, que ainda não está completo devido à espera pela autorização do atual reitor para visitas a setores importantes da instituição.

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Marluce Silva Souza, natural de Prata, Minas Gerais, e graduada em Serviço Social e Direito, construiu uma carreira sólida na UFMT, onde ingressou como professora substituta em 1992 e se tornou docente efetiva em 1996. Com grande experiência em gestão acadêmica, já ocupou diversas posições de liderança na universidade. 

Agora, assumindo seu maior desafio, Marluce fala sobre suas prioridades à frente da reitoria e destaca a importância de reorganizar a UFMT e superar os desafios orçamentários. Em entrevista ao PNB Online, ela detalha o processo de transição, que ainda não está completo devido à espera pela autorização do atual reitor para visitas a setores importantes da instituição. Com um enfoque na melhoria das condições de trabalho e na eficiência da gestão, Marluce tomará posse do cargo em outubro. 

Leia também: Reitora eleita anuncia nova equipe e reformas estruturais na UFMT

A dois meses da posse, reitora eleita promete focar em reorganização da UFMT (Foto: Assessoria)

PNB Online: Quais são as suas prioridades? Quais são os seus focos neste início de mandato?

Marluce Souza: Nossa prioridade é organizar os espaços de trabalho dos servidores. Quando falamos em organização, nos referimos, por exemplo, às condições dos banheiros, das salas de aula e do transporte dos estudantes, para que possam estar aqui nos horários devidamente regulamentados pelas disciplinas. Também queremos oferecer segurança imediata, tanto para os trabalhadores quanto para os estudantes, durante o trajeto e a permanência nos campi da UFMT.

PNB Online: E como a senhora pretende garantir essa segurança?

Marluce Souza: Já analisamos o contrato com a empresa de segurança e queremos incluir mulheres na equipe de vigilância, principalmente em áreas próximas a banheiros, salas de aula, laboratórios e outros locais estratégicos. Homens terão uma presença maior nas áreas externas, onde há mais ocorrências de assédio, especialmente à noite. Também planejamos implementar a política de iluminação e vigilância aprovada no Consuni [Conselho Universitário] em 2023.

PNB Online: A senhora tem conhecimento de relatos de violência ou tráfico nas proximidades da piscina ou do Museu Rondon de Etnologia e Arqueologia?

Marluce Souza: Sim, temos relatos de pessoas que ocuparam espaços dentro da universidade. Próximo ao Museu Rondon, por exemplo, há usuários de drogas, trabalhadores informais e moradores de rua. Entre eles, encontramos pessoas com tornozeleiras eletrônicas ou procuradas pela polícia. Recentemente, descobrimos que uma pessoa viveu por dias em um almoxarifado da universidade, saindo durante o dia e retornando à noite. Precisamos tornar esses espaços mais seguros, mesmo que nem todas essas pessoas representem necessariamente um risco. Então, também devemos entender as necessidades dessa população que vive ao redor da instituição.

PNB Online: Como está o processo de transição com a gestão atual?

Marluce Souza: Após o segundo turno, começamos a organizar grupos de transição, formando 34 GTs, inclusive com apoio de outras chapas que não chegaram ao segundo turno. Estabelecemos um método que pudesse favorecer e nos dar uma resposta mais rigorosa. Estamos coletando dados a partir de relatórios públicos e informações disponíveis nos sites, mas aguardamos autorização do atual reitor para visitar cada setor e conversar com os responsáveis. Isso será importante para obtermos informações mais precisas e atualizadas além das que encontramos nos documentos públicos. Até agora, recebemos permissão apenas para falar com a Superintendência do Hospital Universitário Júlio Müller e da Ebserh [Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares].

PNB Online: A senhora já teve acesso aos dados financeiros da universidade?

Marluce Souza: Sempre acompanhei os dados financeiros, pois sou uma estudiosa do orçamento público. Recentemente, finalizamos o orçamento para 2023 da universidade, que é de R$ 1 bilhão. Desse montante, 80% já está comprometido com o pagamento de servidores ativos e aposentados. Restam R$ 200 milhões para custeio da universidade, o que é insuficiente para bolsas e o restaurante universitário, por exemplo.

Atualmente, temos 23 mil estudantes regularmente matriculados, sendo que 60% recebem algum tipo de bolsa, alimentação, ou necessitam de moradia estudantil. Com R$ 200 milhões ao ano, é muito difícil atender todas as demandas de pesquisa, extensão, administração e assistência estudantil. Embora busquemos uma recuperação orçamentária junto ao Governo Federal, também precisamos acessar recursos por meio de projetos e emendas parlamentares. De uma forma geral, o cenário atual não permite expansão ou criação de novos cursos. A criação de cursos só é possível se houver garantia de estrutura e recursos, conforme determinado pelo MEC. O orçamento é, de fato, um desafio.

PNB Online: O orçamento é então o desafio mais urgente que a senhora enfrentará?

Para Marluce Souza, tão urgente quanto o orçamento é a organização da universidade. (Foto: Assessoria)

Marluce Souza: Tão urgente quanto o orçamento é a organização da universidade. Há muito trabalho que não depende diretamente de orçamento, mas que pode modificar a realidade da instituição, como a segurança, por exemplo. Precisamos de recursos tecnológicos, aplicativos e um corpo maior de vigilantes. Embora precisemos de orçamento para isso, podemos melhorar a organização e distribuição dos trabalhadores nessa área, otimizando o uso dos recursos disponíveis.

Além disso, precisamos dar mais suporte às coordenações de curso e aos estudantes, especialmente àqueles com necessidades especiais. Por exemplo, recentemente recebemos dois estudantes com deficiência na Faculdade de Medicina, que necessitam de monitoria, tutoria e maior dedicação dos professores. Coisas dessa natureza podemos fazer mesmo diante de pouco orçamento. 

PNB Online: Há alguma iniciativa específica voltada para atividades de pesquisa e inovação na UFMT?

Marluce Souza: Estamos aproveitando o processo de transição para identificar necessidades na pesquisa e inovação. Precisamos melhorar a comunicação interna, como vimos recentemente com editais enviados com prazos curtos, dificultando a participação dos pesquisadores. Estaremos mais atentos às necessidades e demandas da formação de pesquisadores e estudantes. Organização, informação e diálogo são fundamentais para melhorar a universidade.

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